quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Histórias da Segunda Guerra.


Entre 1942 e 1945, o Brasil foi integrante da aliança que combateu o Eixo. Provocado pelos ataques alemães em pleno litoral brasileiro, o país decidiu ir à guerra contra Hitler.
Agosto de 1942:

Uma carnificina no mar do Nordeste levou o governo a declarar guerra contra o Eixo. Um único submarino dos alemães afundou cinco embarcações - o que provocou quase 600 mortes. Ataques aconteceram em curtíssimo intervalo de tempo. E o presidente Vargas teve de agir.

Julho de 1944:

A Força Expedicionária Brasileira embarca para a Itália com 5.000 homens no seu primeiro batalhão; o cérebro da delegação militar nacional é o general Mascarenhas de Moraes. Preparação das tropas, contudo, é precária.


Outubro de 1944:
O 1º Grupo de Caça da FAB desembarcou na Itália para participar do teatro de operações; a preparação para os combates incluiu treinamento nos Estados Unidos e no Panamá; tropas foram entregues a comando americano.

Novembro de 1944:

Monte Castelo
Os pracinhas tomam Monte Castelo na quarta tentativa - e a conquista é estratégica para o prosseguimento da campanha Aliada pelos Apeninos. Derrotar os alemães tornara-se uma questão de honra para soldado da FEB.

Abril de 1945:
Montese:
Soldados travam em Montese a batalha mais sangrenta desde a Guerra do Paraguai. Força total do país expeliu alemães da cidade italiana - e assegurou uma passagem mais tranqüila dos aliados a caminho do vale do rio Pó.
Fonte Pesquisa:









Itália, 25 de Dezembro de 1944.
Minha boa mãe,
Saudações

Novamente aqui, nesta terra distante de minha Pátria querida, é que torno a escrever esta cartinha, afim de novo enviar as minhas pequenas notícias. É neste dia do menino Jesus, no nosso grande dia de Natal, que apesar de estar muito longe de todos que me querem bem, os meus pensamentos estão sempre voltados aí para todos. Sei perfeitamente que acharam falta da minha presença neste dia de Natal, mas tenho a dizer que espiritualmente estive ai presente. Quanto a mim Graças ao Nosso Bom Deus, a aos meus companheiros, passamos bem este Natal, que se passa.
Creio que já tenhas recebido a minha primeira carta e o meu telegrama. Sempre aqui estou bem, e cheio de saúde. A minha função é de datilógrafo. Mais uma vez, peço para que não fiquem pensativos em mim. Sempre bem e alegre.
Sinto muitas saudades do meu Brasil e de todos.
A minha maior dádiva seria em receber sempre uma carta de todos daí. Nem queira saber quanto é bom saber notícias de todos e da sagrada terrinha.
Como vai minhas irmãs? Justina, quando se casa? Maria como vai de noivado. E Zilda, o que ela me conta. Escreva-me logo sim? De-me notícias do Natalini e do Carlos.
Como vai o meu afilhado e os compadres. Estimo que estejam todos bons. Abraço na Verinha e no Valdir.
Beijos a Terezinha. Diga a ela que é a irmãzinha mais bonitinha da turma. E o Nilton já comprou uma fazenda? Escreva-me logo sim? Findo esta carta enviando recomendações a todos. Abraços ao pai, e desejo-lhes prósperos negócios. Este teu filho que pede abençoá-lo. Com muitos abraços”.

Germano.



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cartas da Segunda Guerra Mundial – Chegada à Itália.




Itália, 21 de Dezembro de 1.944
Meus caros pais e irmãos,
Saudações.

“Depois de minha partida somente agora é que pude lhe escrever. Espero que tenhas recebido o meu telegrama. Cheguei bem de viagem. Fiz uma ótima viagem. Graças ao nosso Deus, gozo de uma boa saúde. Aqui na verdade faz muito frio, mas eu estou enfrentando ele muito bem.
Tudo aqui corre muito bem para nós. As suas boas preces estão sendo ouvidas por Deus.
Tenho uma ótima função. Não deves mais ficar pensativa em minha vida de guerra. estou gostando dela. A guerra não é tanto como aí se julga. Sei que esta carta irá chegar um pouco tarde, mas mesmo assim aproveito para enviar a todos os meus melhores votos de felicidades pela entrada do ano novo. E espero que haja feito um bom natal.
O meu maior presente aqui é em receber de vez em quando uma carta daí, para saber notícias de todos. Como eu prometi vou colocar no correio uma carta em cada oito dias.
Gostaria de que minhas irmãs escrevessem sempre uma carta.
A terra do pai tem bom vinho.
As uvas terminaram. Aqui tem muito frio, lama e chuva.
Quando eu aí voltar muitas coisas tenho que contar.
Como vai a Julia e sua família, recomendações a todos. Abraços em todas minhas irmãs. Recomendações a todos os meus manos.
Aqui é que a gente dá o valor ao nosso querido Brasil. Quantas saudades que sinto dele e de todos que me estimam.
Se Deus quiser com o nosso e vossos esforços, a guerra a de terminar logo.
Minha querida mãe e pai, como vocês crêem em Deus, deves crer também no que eu digo: aqui estou bem e nada deves recear. A guerra pertence ao bom soldado, que defende uma causa justa. Principalmente a dignidade de nossa querida Pátria.


Germano


Gosto muito de pertencer a esta cruzada.
Nós brasileiros gozamos de um bom conceito, perante todos, porque sabemos honrar a nossa bandeira. O alemão tem temor ao soldado brasileiro.
Peço pelo amor de Deus, em não pensar em mim.
Aqui vivo contente, principalmente junto com os meus companheiros.
Mãe, tem recebido carta de Josefa? Tem escrito a ela?
Espero melhores cartas. Escreverei.
Findo esta carta abraçando a senhora e ao pai e beijos a todos deste teu filho que sempre soube adorá-los”.

Germano.



Bisavô Antonio e todos os filhos homens.




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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cartas da Segunda Guerra Mundial – Sinal de Partida.


Nesta oportunidade não poderia deixar de fazer uma singela homenagem a duas matriarcas: Tereza Sanches Agnelli, mãe de Germano Agnelli e Justina Agnelli, sua irmã. Desde muito pequeno tenho visto o exemplo de amor e dedicação de minha bisavó e avó aos filhos, netos para manter a família unida. Minha Bisavó Tereza e meu bisavô Toninho tiveram onze filhos: Nilton, Germano, Carlos, Chiquinho, Natal, Torelo, Maria, Justina, Júlia, Zilda e Terezinha. E ainda adotaram mais dois meninos que criaram com o mesmo amor e atenção dos seus. Moraram por muito tempo na Zona Rural onde plantavam algodão, milho, café e criavam gado. Depois que os filhos cresceram e se casaram passaram a viver na cidade de Dourado, interior do estado de São Paulo.
Também a elas devo meus préstimos por terem guardado, por tanto tempo, relatos importantes da história da Segunda Guerra Mundial que só agora podemos compartilhar com todos.


Família Agnelli


O Embarque à Itália.




Rio de Janeiro, 08 de Novembro de 1944.
Minha boa mãe,
Saudações.

Espero que quando receberes esta já tenham recebido noticias minhas pelo telegrama que mandei. Eu recebi todas as cartas da senhora, da Júlia, Lídia e da Justina.
Eu aqui vou indo bem e peço a senhora e a todos que não fiquem tristes comigo, não devem pensar em mim. Eu aqui estou contente com tudo. Nada me faz passar triste. Só aí é que me põe a pensar. Portanto peço para que não pensem em mim. Diga a Júlia também para não chorar. Explica a ela que a guerra já está acabada. Eu era para ficar aqui mas foi dado sem efeito, de modos que agora eu vou como rádio-telegrafista. Em nada devemos temer. Tenho muita fé que nada há de acontecer. Quando eu for eu passarei um telegrama. Nesse telegrama eu só vou dizer o seguinte: (Sinto muitas saudades). De modos que assim fica combinado o meu sinal de partida. E nada de tristeza porque eu só vou fazer um passeio. Podes acreditar nisso. Se a senhora não crer nisso será a mesma cousa que não acreditar em Deus.
Dentro de poucos meses estamos todos de volta. Eu quero que todos sintam orgulhosos de mim. Saberei cumprir com o meu dever. Sempre gostei disso. Um dia seguirei, mas um dia voltarei.
Deus sempre me guiou e sempre a de me guiar.
Mãe, eu dei uma escapada e fui ver a Josefa, passei sábado, domingo e segunda, de modos que ela ficou mais conformada. Eles me fizeram tanto que nem sei como pagá-los. Eles são muito bons. E me estimam muito. Josefa me disse que já respondeu a carta da senhora.
A contar do dia do meu embarque, o pai deve receber aí, um mês de meus vencimentos. Se acaso não receberem, me escrevam.

Quando eu embarcar suspenda a correspondência, só me escrevam quando eu escrever. Dê as minhas recomendações ao pai. Abraços no Chiquinho, e lembranças aos cunhados e cunhadas.
Beijos em todas as crianças.
Sempre peço desculpas de minha letra.
Eu aqui procurei o Lelo mas não encontrei. No contingente que veio do Norte ele não veio. Ele deve ter dado já a baixa. Ele já findou o tempo.
Em maio, se Deus quiser, estaremos aí todos juntos.
Vamos fazer uma grande festa. Sempre estou pensando em todos aí.
Sinto saudades. Mas em breve mataremos essa saudade.
Quanto ao meu dinheiro, o governo vai deixar depositado no Banco Andrade Arnaud, com sede a rua Buenos Auyres nº 20 – A – Distrito Federal.
Eu vou ver se posso mandar uma procuração para o pai, para ele retirar esse dinheiro e guardar junto com o outro que ele irá receber todo o mês.
Sei que ele tem que fazer aí uma nova procuração para o Colagrossi movimentar com o Banco Nacional da cidade de São Paulo, que é o que vai fazer a transferência com o Banco Andrade Arnaud.
Sem mais aceite recomendações deste teu filho que pede abençoa-lo.

Germano.




Bisavó Teresa.






Avó Justina Agnelli Varella.


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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Cartas da Segunda Guerra Mundial - Continuação.

Segunda Carta

Nesta segunda carta Germano procura consolar sua mãe e parentes com a sua ida à Itália, onde talvez nem embarcaria, prevendo aos entes queridos o termino da guerra antes de embarcar. Também define sua posição de rádio-telegrafista do Exército Brasileiro, e uma certa frustração por não encontrar o irmão, Torelo Agnelli.


Foto: Germano e Soldado desconhecido




Rio de Janeiro, 03 de Novembro de 1944.
Querida mãe,
Beijos.

Recebi a sua estimada carta que muito me alegrou o meu pobre coração. Nem sabes o sentimento que tenho em vos deixar. O destino o quer. E saberá cumprir com o meu dever. Agora não deves se preocupar comigo, que tenho fé que nada acontecerá. Deus sempre esteve comigo, e estará para sempre. Amém.
A senhora podes crer que a guerra está no fim. Logo tudo terminará.
Temos que nos conformar, aqui tem a maioria que são casados e cheios de filhos. Eu sou solteiro.
Mãe, recebi o seu telegrama. Mas não pude encontrar o Lelo (Torelo Agnelli). Em todos os casos tenho fé de encontrar. Eu quase não posso sair daqui. Peço a senhora me mandar o endereço dele com urgência.
Mãe a Josefa me descreveu que a senhora escreveu a ela. Ela diz sentir muito satisfeita e acha que a senhora é muito boa. E vai responder a carta. Eu também agradeço a atenção da senhora. Eu deixei com a Josefa mil cruzeiros e a caderneta da caixa.
Se por ventura eu embarcar para Itália, eu vou mandar um dinheiro que tenho. Porque a gente só pode embarcar com cem mil réis. Mãe, eu vou ganhando mais ou menos três contos. Não sei certo quanto é. Mas desses três contos, uma parte o pai vai receber aí, na coletoria ou na câmara. E a outra parte fica no banco, ou na caixa em meu nome e a terceira eu receberei na Itália.
Aqui no exército eu fiz a declaração de herdeiros e segue um formulário.
Essa declaração de herdeiros é para se acaso acontecer alguma cousa comigo, as famílias receberão pensão militar referente a um ordenado de um posto acima do meu.
Espero que tenhas compreendido. Se caso não compreenderam, pode me escrever novamente.
Peço desculpa da letra, estou escrevendo de cima de um caixão. E tenho pressa.
Diga a Lídia do Tio Ernesto que recebi a carta dela e que muito agradeço a atenção dela. E que não escrevi por falta de tempo. Diga a Júlia que muito agradeço também a sua carta. E que logo vou responder a carta dela.
Lembranças para as meninas. E que tenham sempre juízo.
Dê lembranças ao pai e ao Chiquinho.
Quando tudo isso terminar iremos fazer um piquenique toda a família junta.
E tenho muita fé em que isso será realizado. E vai ser para o mês de maio.
Mãe, Rio é encantador. Já fui passear duas vezes nos melhores lugares.
Mãe, pode tranqüilizar o seu coração que talvez nem chegue a embarcar. Talvez eu fique aqui tomando conta do material que fica. Vão ficar dois sargentos por Companhia. Por enquanto eu sou um dos escolhidos. Podes crer. Quero que Deus me castigue se isso for mentira. Por isso peço que a senhora não fique triste mais. Porque eu aqui todos os momentos estou vendo a senhora triste.
A senhora talvez nem sabes calcular que sempre estou aí com a senhora. O meu pensamento está sempre aí. Agora é preciso também que a senhora se alegre um pouco mais.
Quanto mais triste a senhora ficar será pior para nós. Os lamentos aí da senhora repercute aqui no meu coração.
A senhora deves ficar orgulhosa disso. Eu tenho cinco anos de militarismo. Estou bem treinado. Quando eu voltar, voltarei mais brasileiro do que fui. E a senhora será mais mãe, porque soubestes passar por mais um sacrifício que Deus a impôs.
É necessário também que a Senhora se alimente bem.
Nesse momento eu acabei de saber, se caso eu for para Itália, irei como Rádio – Telegrafista. De modos que se assim for, podes ficar mais tranqüila ainda, que nada poderá me acontecer.
Todos esses sacrifícios nossos de hoje serão felicidades de amanhã.
Temos que ter fé em Deus. E ser forte. Ou demais de nada valerá.
Recomendações a todos que por mim perguntar”.

Termino esta, pedindo que me abençoe.
Este teu filho que muito te considera”.
Germano.
Veja na outra folha o meu novo endereço.
Escreva-me logo.
Sim”!


Antonio Agnelli e Tereza Sanches Agnelli (pais de Germano)


Meu novo Endereço:
D.P.E da F.E.B – 1º Escalão
Sub-Grupamento de Infantaria
III Batalhão
III Companhia dos Comandos
Vila Militar.
Rio de Janeiro.



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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cartas da Segunda Guerra Mundial




Nesta publicação vou descrever uma das histórias que mais marcaram a minha emoção. Tive o conhecimento que minha avó Justina Agnelli Varella, guardava com todo carinho, por muitos anos, cartas de seu irmão que serviu a II Grande Guerra Mundial. Germano Agnelli, meu tio-avô, serviu ao exército brasileiro e quando estava em Roma para combater o Fascismo de Mussolini, escrevia cartas a todos os irmãos e a seus pais. Na verdade, foram dois irmãos à Guerra: Germano Agnelli e Torelo Agnelli mas tenho apenas as cartas de Germano que retratava momentos desde o embarque até os mais difíceis que conviveu diante da guerra.
Somente para reportarmos um pouco na história e entendermos que a Itália Fascista, liderada por Benito Mussolini estava dividida e apoiava o “nazismo” de Adolf Hitler na Alemanhã.
A intervenção da Itália (com início em 10 de Junho de 1940) na Segunda Guerra Mundial como aliado da Alemanha trouxe o desastre militar e resultou na perda das colônias no norte e leste africanos bem como a invasão americano-britânica da Sicília em Julho de 1943 e o sul de Itália em Setembro de 1943. (Fonte: Wikipédia, http://pt.wikipedia.org/wiki/Fascismo#Defini.C3.A7.C3.A3o
A Segunda Guerra Mundial foi um conflito bélico ocorrido no Século XX, envolvendo as forças armadas de mais de setenta países, opondo os Aliados às Potências do Eixo.
A guerra começou em 1 de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha e as subseqüentes declarações de guerra da França e da Grã-Bretanha, prolongando-se até 2 de setembro de 1945.
Em estado de guerra total, mobilizou mais de 100 milhões de militares, e causou a morte de, aproximadamente, setenta milhões de pessoas (cerca de 2% da população mundial da época), a maioria das quais civis. Foi o maior e mais sangrento conflito de toda a história da Humanidade.
As principais nações que lutaram pelo Eixo foram: Alemanha, Itália e Japão. As que lutaram pelos Aliados foram, principalmente: Grã-Bretanha, França, União Soviética, Estados Unidos e China.
A guerra se encerrou com a rendição das nações do Eixo, seguindo-se a criação da ONU (Organização das Nações Unidas), o início da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética (que emergiram do conflito como super-potências mundiais) e a aceleração do processo de descolonização da Ásia e da África. (Fonte: Wikipédia, enciclopédia livre).


O principal papel do Brasil na Segunda Guerra Mundial era dar apoio total aos Estados Unidos, pois durante esta época (1937 – 1945) o país vivia a instalação de um Regime Militar comandado por Getúlio Vargas onde detinha um empréstimo de 20 milhões de dólares dos E.U.A. para a construção da Usina de Volta Redonda.
No ano de 1943, foi organizada a Força Expedicionária Brasileira (FEB), destacamento militar que lutava na Segunda Guerra Mundial. Somente quase um ano depois as tropas começaram a ser enviadas, inclusive com o auxílio da Força Aérea Brasileira (FAB).
Nesse breve período de tempo, mais de 25 mil soldados brasileiros foram enviados para a Europa. Apesar de entrarem em conflito com forças nazistas de segunda linha, o desempenho da FEB e da FAB foi considerado satisfatório, com a perda de 943 homens.

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Primeira Carta:

Rio, 21 de Outubro.
Minha boa mãe,
Saudações.

Em primeiro não me é possível escrever a tinta e nem tao pouco legível. Acabo de chegar ao Rio. Estou bem. Não pense em mim. Aqui recebemos de tudo. Nada nos falta. Embarcamos em São Paulo, quinta-feira, à noite. Joséfa ficou inconsolável. Precisamos ter paciência não é? Espero que a Senhora se conforme, não chore por mim. Sinto muito por todos que aí deixo. Partirei com o coração voltado para todos os que me são caros. Estarão todos em meus pensamentos. Mesmo nos momentos difíceis. Trabalhamos aqui normalmente.
A vida militar, é bem grande. Somos aqui homens de todos os estados.
Partiremos em fins de novembro. Tudo aqui nos encoraja, cada vez mais.
Temos bons chefes. E nada nos falta. Nosso conforto é bom. Aqui nada nos falta e lá nada também nos faltará.
A pátria precisa do nosso esforço. O dia de amanhã será para nós, muito triste, mas outros virão muito alegres e cheios de glória.
Aqui encerro esta missiva.
Recomendações e abraços a todos. Deste teu filho que pede a bênção.
Germano.”

Orai por mim.
Deus a ouvirá.
Adeus”.

Germano Agnelli – 3º Sargento.
3ª Companhia – 1º Batalhão.
Força Expedicionária Brasileira.
Sub-Grupamento de Infantaria.
Vila Militar.
Rio de Janeiro.


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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Hino Municipal de Dourado

Em 8 de maio de 1997, pela Lei Municipal nº 865, no mandato do Prefeito Municipal Dr. Idio Carli, foi instituído o Hino Municipal de Dourado.


Hino de Dourado.



Quando em Tempos distantes

Em que os bravos bandeirantes

Desvendavam os sertões

Buscavam pedras preciosas



Atrás de si uma clareira

Aberta na trilha aventureira

Princípio de civilização

Solitárias choupanas levantadas

As poucos eram habitadas

Surgindo a população



REFRÃO:

Se a vida é um régio presente

Que o Senhor tão generosamente

Concede a todos os filhos seus

Nossa querida Dourado

Nascer no teu solo amado

Privilégio dado por Deus



Sem sentir foi crescendo

O povo então foi requerendo,

De um padroeiro a proteção

Veio São João Batista dos Dourados

Mas o vizinho Bebedouro

Instava por si o logradouro

Foi lá que no início se instalou

Pois o santo, conforme diz a lenda

Por conta decide essa contenda

Então padroeiro se tornou!




REFRÃO:



Assim a cidade que cresceu

E tantas belezas recebeu

Até a ferrovia que partiu

Agora a lembrança permanece



Chegando o fim da jornada

E a nossa missão já terminada

Enfim a hora de partir

Deus concede repouso neste abrigo

No chão amado tão amigo

Para sempre o seu calor sentir



REFRÃO:





Poesia: Miltes Bueno Galassi
Música e Adaptação: Rodrigo Tadeu Belloti da Costa
Arranjos: Rodrigo Costa
Vocais: Beto Santos, Cidinha Costa e Rodrigo Costa
Algumas das interpretações do Hino destaquei:
§ 1º. – Quando em tempos distantes: traduz a memória retroativa dos douradenses, passada aos descendentes e transmitida a geração do presente.
§ 2º. – Em que os bravos bandeirantes: há a alusão pejorativa do povo, aos indômitos paulistas que venciam os perigos, conquistando a soberania das matas.
§ 3º. – Desvendavam os sertões: refere-se ao espírito desbravador dos bandeirantes, em busca de riquezas no afã do descobrimento das terras ainda desconhecidas dos homens.
§ 4º. – Buscavam pedras preciosas: revela à meta principal da ação das bandeiras que, intrepidamente, enfrentava as vicissitudes a ameaça dos perigos existentes no interior da mata, em busca das pedras preciosas, as famosas esmeraldas, verde esperança a iluminar os seus rudes corações.
§ 5º. – Atrás de si uma clareira: alude ao ponto referencial onde os pioneiros fincavam os seus estandartes de posse, demarcando os limites da área de distância percorrida, uma espécie de bússola de orientação, de localização.
Fonte de Pesquisa:
http://pt.wikisource.org/wiki/Lei_Municipal_de_Dourado_865_de_1997


Centro Cultural de Dourado Miltes Bueno Galassi.
O Centro Cultural de Dourado recebe o nome de Miltes Bueno Galassi em justa homenagem a autora e está funcionando desde de 20 de maio deste ano em um novo local: Avenida da Saudade, 225. Lá, a Prefeitura, por meio do Departamento de Cultura, também instalou a Biblioteca Municipal Cecília de Barros Pereira de Souza Braga, que possui um acervo com 10 mil livros. Na Biblioteca, os moradores também podem fazer consultas pela internet. O Departamento de Cultura também irá utilizar o espaço para promover oficinas culturais na nova sede.
Fonte de Dados, site da Prefeitura: http://www.dourado.sp.gov.br/




Prefeitura Municipal de Dourado:



Foto site: http://rocci.ac.vilabol.uol.com.br/predios.html


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Iniciativa Paroquial


Centro Juvenil São Domingos Sávio, entidade sem fins lucrativos, foi idealizado pelo Padre José Antônio. O Centro Juvenil tem como objetivo maior a formação técnico-profissional de crianças e jovens carentes.

Localização do Centro Juvenil na página do Wikimapia.org

http://wikimapia.org/#lat=-22.1145421&lon=-48.3211434&z=18&l=9&m=b



Representante Legal: Padre José Antonio.

Endereço: Rua Barão do Rio Branco, 254.

Bairro: Centro

Município: Dourado - SP.

CEP: 13.590-000

Fone/Fax: (016) 3345-1088

Entidade: Filantrópica.

Fundada em 1993.


APRESENTAÇÃO:


A entidade tem como finalidade assistir a criança necessitada de Dourado, direta ou indiretamente através dos pais ou família em todos os setores em que se faça necessário.


E como instituição filantrópica a entidade não fará distinção de raça, cor, sexo, credo político ou religioso.

A população alvo a ser atendida é composta de 235 crianças entre 06 meses a 14 anos advindas de 100 famílias de baixa renda.

A entidade tem como objetivo dar condições para que seja desenvolvido com a criança um trabalho que resulte integralmente nos planos físicos, intelectuais e social em horários complementares a escola.

A comunidade é predominante de baixa renda e sua maior problemática é a manutenção da estabilidade desta renda, sendo esta região voltada ao trabalhador rural.

E existe muito o período das entre safras na cultura de cana, algodão e laranja, e enfrentando também a falta de emprego com a substituição do homem pela máquina.

Com toda essa problemática familiar, econômica, social que a criança enfrenta, tentamos nos empenhar no sentido de desenvolver integralmente a criança.

Objetivos e Metas:

Temos como objetivos proporcionar a criança e ao adolescente um trabalho de desenvolvimento e complementaridade para que resulte no desenvolvimento integral e que desenvolve-se nos planos físicos, intelectuais e social.

Nossa meta a ser atingida em primeiro lugar em relação ao estudo, procuramos dar atenção especial a escola com trabalhos complementares no que for necessário, apoio nas dificuldades, aulas diárias de reforço com horário também diário e especial para tal, pois para nós é o centro de tudo que pensamos em realizar com eles.

Sem nunca esquecer as atividades dirigidas, recreativas para podermos estimular o espírito competitivo e entrosamento social. Além das atividades dirigidas esportivas, lazer onde foi inserido aulas de Ballet tanto para meninos como meninas, educação física e profissionalmente através de orientação de cursos como corte costura, datilografia e gráfica.

Dados do período de 2002.


As Festas Regionais da cidade de Dourado ajudam a arrecadar fundos em prol às crianças do Centro Juvenil São Domingos Sávio que hoje atende mais de trezentos jovens.




Ver Também:

Autores e Obras de Nossa Terra.

http://douradocidadeonline.blogspot.com/2008/07/autores-e-obras-de-nossa-terra_28.html


Histórico do Centro Cultural de Dourado:

http://douradocidadeonline.blogspot.com/2008/07/histrico-centro-cultural-de-dourado.html


Escola do Bairro do Bebedouro de Dourado:

http://douradocidadeonline.blogspot.com/2008/09/escola-do-bairro-do-bebedouro-dourado.html



sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Escritora Cecília Braga.




Câmara Aprova o Nome da Escritora Cecília Braga - Arquivo Folha de Dourado No. 121 de 06/11/1993

A Câmara de Vereadores aprovou, através do projeto de Lei assinado pelo plenário, o nome da escritora Cecília de Barros Pereira de Souza Braga para a Biblioteca Pública Municipal localizada no Departamento de Educação da Prefeitura Municipal. A indicação havia sido feita na penúltima sessão legislativa, pelo vereador Newton Romano Alves Costa, mas o projeto de Lei foi apresentado pela vereadora Angela Sciarretta, que por sugestão da mesa deixou a iniciativa para todos os colegas de legislatura.

Sobrinha do Presidente Washington Luiz e filha de um dos fundadores da cidade, o intendente Everardo Vallin Pereira de Souza, Cecília Braga é uma das principais testemunhas do crescimento e da história de Dourado. Autora de estilo rebuscado e detalhista, é, sem dúvida, um dos marcos da cultura do município. Nada se compara aos preciosismo como se dedica ao arquivo das suas memórias, um legado inestimável a história do município.

Esposa de Ben Braga, a escritora por muito tempo colaborou com a "Folha de Dourado" sempre mostrando um vocabulário invejável e colocações claras. Um problema na vista, segundo ela, tem impedindo uma colaboração mais constante, mas na edição histórica do final da marcha dos três cavaleiros de Dourado ela voltaria a colaborar, através de um artigo enaltecendo Malheirinho, o organizador da marcha.


EVOCAÇÃO

Folha de Dourado, N.o 56 de 09/05/1992.

De um modo despretensioso, o objetivo e ao mesmo tempo, encantador, Cecília de Barros Pereira de Sousa Braga registra os usos e costumes nas antigas fazendas em um livro que acaba de lançar: "EVOCAÇÃO". Descendente de ilustre estirpe, trazendo no sangue, na postura, nos gestos, na graça das atitudes a finura e a classe de uma verdadeira brasileira bem nascida, a autora quis homenagear na obra seus antepassados e contar como pensavam e viviam os antigos Barões do café. A ação desenrola-se no Vale do Paraíba, começando no último decênio do século XVIII, quando se rasgava o Caminho Novo, à margem da qual iam nascendo núcleos de população: São João Marcos, Passa Três, Pouso-Seco, São José do Barreiro, Bairro do Sant'Ana do Paraíba, Bairro do Bocaina, Embau. Pelas trilhas dessas circunvizinhanças, chegava-se a Capela do Senhor Bom Jesus do Livramento do Bananal. Em Torno, havia opulentas propriedades, cujas casas grandes foram lentamente destruídas pelo tempo, conservando contudo, algo da grandeza antiga nos portais trabalhados, nas escadarias nos jardins invadidos pelo mato.

Na Fazenda São João do Remanso acontecem os fatos que Cecília evoca com tanta emoção e nitidez, transportando o leitor para a época dos últimos grandes senhores de imensas glebas, cultivadas pelos escravos, retratados com piedade e carinho.

Os capítulos vão fluindo como as águas mansas de um riacho: ora, são as atividades do homem do campo, a lida com o gado e a lavoura, o trabalho duro e sofrido dos negros, o labutar das mucamas nas rocas e teares ou junto aos tachos nas cozinhas imensas.

Há páginas de muita beleza como a Festa de São João, com a fartura de doces de abóbora, batata doce e cidra, colocados em longos tabuleiros; os pés-de-moleque e as rapaduras embrulhadas em palhas de milho, as danças e cantorias dos escravos, no terreiro. Antes de anoitecer, tílburis, caleças, landôs, coches, vitórias e troles trazendo os convidados, adentrando a fazenda, cujo casarão ficava repleto de convidados. Do teto da imponente sala, destacavam-se as pinturas a ouro. Simétricos dunquerques em recurvada forma barroca sustentavam os espelhos em molduras douradas, com suas folhas de louro entrelaçando as iniciais da família.

A fartura transbordava em doces como alfenís, balas de ovos, cones de fios de ovos e ainda, no vinho do Reino e Xerez, servidos em cálices de cristal sobre pesadas salvas de prata. Depois eram as danças ao som de esmerada orquestra. No terreiro, o batucar dos negros ia até alta madrugada. "Negro há de batucá/ Até o dia dispontá/ Até o dia clareá/ Até o astro-rei nascê".

O livro é todo ele, um vigoroso libelo contra a escravidão e, ao mesmo tempo, um hino de exaltação ao ideal abolicionista.

Todo aquele universo é puro passado . Mas visitando a região, pôde Cecília hospedar-se no antigo solar da família, agora transformado em hotel. Os móveis barrocos, as portas com maçanetas de cristal facetado e bandeiras em arco, o assoalho de tábuas largas, os lustres cujas mangas bordadas se abriam em tulipas, tudo parecia evocar ainda os velhos tempos.

A obra é ainda enriquecida da transcrição de alguns cantos afro-brasileiros e de vocabulário de origem tupi, usado no texto, como coivara, pitanga, urutau, xororô, entre muitos outros.


"Evocação" é uma jóia delicada e bem trabalhada, num relicário de mil lembranças. Merece ser lido com muito carinho pelos que amam sua terra e sua gente.

C. Siqueira Farjallat.



terça-feira, 2 de junho de 2009

Festa São João Batista - Dourado - 2009


24 de Junho

6h – Alvorada
9h – Missa Junina
14h – Concentração na Família Tereza Dictoro
Local: Rua Santos Dumont, 338
15h – Benção e Levantamento dos Mastros
no Estádio Municipal Parque São Pedro
18h30 – Missa Festiva ao lado da Papelaria do Duda.
Após a Missa, os Mastros serão transportados até a
praça da Matriz onde serão abençoados.
04 de Julho

18h – Missa na Matriz
19h30 – Renovação das Promessas de Batismo,
com os pais e as crianças da catequese.


26 de Julho

Encerramento
9h – Missa festiva da família
17h – Procissão com os andores dos Santos devotos e Benção.


BARRAQUEIROS BEM VINDOS
À partir do dia 17 de Julho
Contato: NETO (16) 3345-1055, LOJA (16) 3345-3716


  • Barracas de salgados e pastelaria;
  • Barraca do cavalo;
  • Barraca de doces.

Dia 20 de Junho
20:30h – Jantar no Centro Juvenil
Oferta: Buffet Maria Augusta.

Dia 24 de Julho
23:00h – BAILE DE GALA.
No Centro Juvenil
Banda Doce Veneno.

Dia 02 de Agosto
Leilão de Gado
No Pesqueiro Caminho das Águas
Coordenador: Padre José Antonio e Pedro Flores.

A Comissão dos Festeiros tem como Presidente e Organizador VALDIR COSTA e CECÍLIA MONTEIRO.

PADRE JOSÉ ANTONIO E PADRE ISMAEL.


Fotos de procissões anteriores.