terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Praça Girassol - Dourado, SP


Conhecida pelos moradores como “Praça das Flores” ou “Rotatória das Flores”. Está localizada nas coordenadas 22º 07’ 11.24” latitude Sul e 48º 18’ 44.06” longitude Oeste e entre as ruas Alameda das Camélias, Alameda das Tulipas e Alameda das Flores, no Jardim das Flores (FIGURA 04).




FIGURA 04: Visão panorâmica. Localização da Praça Girassol presente na cidade de Dourado-SP (FONTE: Google Earth; 08 set 2011).


A iniciativa de criar um novo loteamento, em meados de 1977, com a idéia de atender outra concepção de estética, diferentemente daquela já existente no município de Dourado – SP facilitou o nascimento do bairro Jardim das Flores dentro dos perímetros urbanos da cidade, graças a dois douradenses queridos que se propuseram a tirar do papel a idéia e seguir em frente com as elaborações.
 
Seu nome veio pela presença do córrego que passa próximo ao local, chamado de Rio Das Flores e o motivo principal da sua construção, estava voltado inicialmente à utilização do verde, pois de acordo com as normas do loteamento, além de ser um bairro apenas residencial, a cada dez metros deveria ser implantada uma árvore. No entanto, a importância da vegetação estava começando a ganhar vigor especial e diante dessa situação, foi decidido junto a elaboração do Jardim das Flores a montagem de uma praça, situada entre as Ruas Alameda das Camélias, Alameda das Tulipas e Alameda das Flores, para satisfazer as vontades dos residentes quanto ao ambiente agradável que estava surgindo e a beleza que se incumbia de preservar o paisagismo.
 
O logradouro recebeu o nome de Praça Girassol (FIGURA 17), isso porque, como as ruas do bairro foram homenageadas com o nome de flores, este espaço também recebeu o nome de uma flor. E outro relato interessante mostrou que, como sempre se tratou de um local onde sua dimensão foi em forma de circunferência, o nome girassol (da planta) foi lembrado por corresponder “giro ao sol”, esclarecido pelas crendices populares e pelos próprios moradores do bairro.
 
Desde sua inauguração, tratou–se de um espaço particular, mas de acesso a todas as pessoas e, na Prefeitura Municipal, não foi encontrado nenhum registro de seu decreto, mas há os documentos que comprovaram a sua instalação.
 
A vegetação sempre esteve presente englobando quase toda a porção da praça, inclusive o Hymenaea martiana Hayne (Jatobá) e a Terminalia catappa L. (Sete-Copas) foram exemplos muito mencionados durantes os depoimentos. E mais, a presença de luminárias sempre contribuiu para o clareamento noturno facilitando o convívio das pessoas e os bancos para suas acomodações. Tanto é que, atualmente existe nos bancos da praça o nome de muitas famílias que prestigiaram, na época, o loteamento com doações e apoios financeiros e que puderam auxiliar na modelagem deste logradouro.



FIGURA 17: Praça Girassol ((IMAGEM: DONATO, G. R, 2011).


Gabriel Romeiro Donato

ABORDAGEM FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLÓGICA DAS PRAÇAS DA CIDADE DE DOURADO-SP COM TRAÇOS DE SUA HISTORIA E CULTURA


Para analisar os fatores históricos foram realizadas entrevistas elaborando um roteiro com questões abertas e fechadas, discursivas e objetivas com a finalidade de obter maiores informações sobre as primeiras construções das Praças e de seus fundadores para evidenciar contos passados mesmo que não há, no momento, os projetos paisagísticos iniciais (com exceção da “Praça Aeroporto” que foi construída há pouco tempo e a “Praça São João” que passou por remodelagens bruscas ultimamente). Os participantes foram escolhidos aleatoriamente, mas, como o trabalho visou buscar pequenos traços históricos, preferencialmente, os mais idosos poderiam esclarecer melhores informações.
Durante a aplicação dos questionários, os informantes foram avisados dos objetivos do trabalho, sendo que sua participação era apenas como voluntário e as perguntas relacionadas foram analisadas e aprovadas pelo Comitê de Ética do Centro Universitário de Araraquara – UNIARA.


Levantamento Florístico.

Nome Popular das Plantas encontradas: Crista-de-Galo, agapanto, Agave, Mangueira, Chorão, Aroeira-pimenteira, Graviola, Jasmim-manga, Chapéu-de-Napoleão, Antúrio, Comigo-ninguém-pode,Lírio-da-paz, Árvore-da-Felicidade, Cheflêra,Pinheiro-de-Natal, Pinheiro-do-Paraná, Seafórcia, Palmeira-Areca, Palmeira-Leque-da-China, Palmeira-Fuso, Tamareira-de-Jardim, Tamareira-da-India, Palmeira-Imperial, Jerivá, Palmeira-Leque-do-Mexico, Gravatinha, Dracena,Barba-de-Serpente, Jacarandá-Paulista, Jacarandá-Mimoso, Ipê-Amarelo-da-Serra, Ipê-Roxo, Ipê-Amarelo-Cascudo, Espatódea, Ipê-Balsamo, Ipê-de-Jardim, Urucum, Babosa-Branca, Buxinho, Palma-Doce, Oiti, Clúsia, Sete-Copas, Gengibre-Azul, Trapoeraba-Roxa, Dália, Ipoméia-Arbórea, Calanchoê, Cica-Anã, Azaléia, Acalifa, Bico-de-Papagaio, Serigueira-Verdadeira, Gerânio, Heliconia-Papagaio, Capim-Palmeira, Pseudo-Iris-Azul, Calicarpa, Boldo-de-Jardim, Canelinha, Abacateiro,Olho-de-Pavão, Bauínia-de-Hong-Kong, Pata-de-Vaca, Pau-Brasil, Sibipiruna, Flamboyãzinho, Canafístula, Copaíba, Flamboyant, Jatobá, Ingá, Cabreúva, Canudo-de-Pito, Fedegoso-do-Mato, Tamarindo, Espada-de-São-Jorge, Resedá, Resedá-Gigante, Magnólia-Amarela, Castanha-do-Maranhão, Paineira-Rosa, Hibisco, Algodão-de-Praia, Malvavisco, Orelha-de-Onça, Quaresmeira, Macuqueiro, Santa-Barbara, Jaqueira, Ficus, Figueira-Mata-Pau, Figueira-Branca, Escova-de-Garrafa, Pitangueira, Jambolão, Primavera, Ligustre, Pau D'alho, Guiné, Pinheiro-Comum, Dedaleira, Grama-Comum, Capim-Cidreira, Citronela, Pinheiro-Budista, Pau-Formiga, Árvore-de-Fogo, Uva-Japonesa, Nespereira, Roseira, Tinguí, Murta, Árvore-da-China, Guaçatonga, Manacá-de-Cheiro, Estrelítzia, Pingo-de-Ouro e Alpínia.
 
Em relação ao quadro florístico, a maior concentração de espécies levantadas foram às exóticas, correspondendo a poucos organismos locais que contribuem para a estética dos espaços analisados. Lorenzi (2009) observou que entre as espécies nativas, apenas alguns tipos de Ipês, Sibipirunas, Oitis e coqueiros Jerivás são relativamente plantados nos centros urbanos, ou seja, a estimativa é de 80% das árvores cultivadas nas cidades brasileiras, sejam de flora exótica. Já, Rangel Junior (2006) exaltou um ponto de vista diferente, exclamando que não há preferência na plantação de árvores nativas em detrimentos das exóticas ou vice versa, porém o valor estético das plantas é o critério utilizado para a introdução em torno dos perímetros dos parques e praças e o de ofertar a cidade com espécies variadas no interior.
 
Por outro lado, Geraldo (1997) relatou que o fato de ser encontrada uma menor concentração de espécies nativas se da pela cultura local ou por valores de mercado, onde são oferecidas as mesmas espécies pelos comerciantes ou produtores já que as técnicas de cultivo estão desenvolvidas há tempos. Entretanto, neste trabalho foi verificado uma maior predominância de vegetais exóticos (65,54% do total levantado) contribuindo, assim, para fortalecer a literatura citada acima.


No trabalho realizado por Gabriel Romeiro Donato percebe-se a importância que os vegetais representam para as atividades humanas e utilidades econômicas auxiliando no bem estar social, onde a grande maioria das espécies levantadas contribuíram para a estética do paisagismo local.


Fig 12.




FIGURA 12: Plantas encontradas nas praças da cidade de Dourado - SP com utilidades econômicas. A) Araucaria angustifólia (Bertol.) Kuntze; B) Handroanthus sp; C) Myrocarpus frondosus Allemão; D) Hymenae martiana Hayne; E) Licania annii (Hook. f.) Fritsch; F) Bombacopsis glabra (Pasq.) Robyns; G) Ceiba speciosa (A.St..-Hil.) Ravenna; H) Hevea brasiliensis Müll.Arg. (Willd. ex A.Juss.); I) Pinnus elliottii Engel; J) Lagestroma indica L.; K) Delonix regia (Hook.) Raf.; L) Bauhinia variegata L.; M) Caesalpinia sp.; N) Cassia ferruginea (Schrad.) DC.; O) Ficus guaratinica Chodat; P) Triplaris brasiliana Cham. (IMAGEM: LORENZI, 2008; LORENZI, 2009; LORENZI, et al, 2003).



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