terça-feira, 2 de junho de 2026

60 anos do Grupo da Fraternidade Espírita "Em Torno do Mestre"

 

Aniversário da Instituição Espírita
Jornal Correio de Luz - Ano 06 - N° 058, página 13 – Junho de 2026 – USE São Carlos.
60 anos do Grupo da Fraternidade Espírita “Em Torno do Mestre”
João Carro
Em 02 de junho de 1966 era fundada na cidade de Dourado a Sociedade Espírita “Em torno do Mestre”, fruto da dedicação e abnegação de vários simpatizantes da Doutrina Espírita, que se reuniam, semanalmente, em imóvel alugado, para estudos das obras de André Luiz. Estes estudos eram conduzidos pelo Sr. Camillo Antonio Fantini Odoríssio e tinham a duração de aproximadamente duas horas.


Nesta época, o aluguel era custeado pela Sra. Izaura Gonçalves Agnelli, já viúva, que participava com assiduidade dessas reuniões semanais, juntamente com outros confrades.


A Sra. Izaura Gonçalves Agnelli, além de custear o aluguel do imóvel que era utilizado para os estudos, também doou o terreno onde seria construída a sede da Sociedade.


Com a doação de 4.000 tijolos realizada por outro dos participantes, iniciou-se a construção desta que, até hoje, é a sede da Casa Espírita.


Adquirido o terreno e já possuindo os tijolos necessários, foi feita uma campanha na cidade para obterem os recursos financeiros necessários para a edificação da obra, além de ajudarem com o próprio trabalho braçal, principalmente os senhores Camillo e José Natalino Nazaré, este último havia voltado a morar em Dourado, após aposentar-se.


Muitos profissionais como pedreiros e carpinteiros trabalharam de forma totalmente gratuita, mesmo não sendo adeptos da Doutrina. Com a obra finalizada no ano de 1969, as reuniões passaram a ser na nova sede.

Após instalarem-se no local que, inicialmente, possuía um salão de reuniões e uma pequena sala que era utilizada para a aplicação de passes, começaram a haver as reuniões mediúnicas, com a presença de novos frequentadores.


Na mesma época as senhoras que frequentavam os estudos começaram a costurar agasalhos, aproximadamente 400 por ano, para entregarem gratuitamente às crianças que moravam nas fazendas da cidade.


A construção de um banheiro, de uma cozinha e de uma pequena sala na entrada do prédio, para servir como uma pequena biblioteca, foi feita bem depois, com doações dos próprios trabalhadores.


Mais adiante, o Sr. Camillo construiu uma outra sala, onde atualmente funciona a biblioteca e que antes era usada para o armazenamento de doações para as feiras da pechincha e outros utensílios.


No ano de 2003, a Sociedade Espírita “Em Torno do Mestre” mudava a sua denominação para Grupo da Fraternidade Espírita “Em Torno do Mestre”, aderindo ao Movimento da Fraternidade - MOFRA, antigo sonho do Sr. Camillo, que também foi fundador do Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Batuíra, em São Carlos, antes mesmo da fundação de nossa Casa Espírita. Como curiosidade, o Espírito Batuíra é o mentor espiritual de ambas as Casas.


Mais recentemente, Ana Paula Gratão e Ricardo Augusto Vieira fizeram a doação do terreno onde hoje estão localizadas as salas de reuniões mediúnicas, sala de Ectoplasmia e salas de evangelização, construções estas realizadas com doações de inúmeras pessoas. 


Foi também incorporada ao salão principal, a pequena sala onde funcionava a biblioteca, que havia sido construída na época da construção da cozinha e do banheiro.


Há aproximadamente três anos, com a queda do muro dos fundos, após chuva intensa, decidiu-se pela construção de dois banheiros, um feminino e outo masculino.


Também algumas modificações foram realizadas na cozinha de nossa Casa Espírita, construção essa que foi realizada novamente com doações de várias pessoas e com a intensa dedicação de nosso saudoso companheiro Salvador Rita, que mesmo trabalhando todos os dias como guarda-noturno em nossa cidade, trabalhava também diariamente, das 9 h até aproximadamente as 15 h, como pedreiro, para que nosso sonho pudesse se realizar.


Esse é um breve resumo de nossa história, onde não estão totalmente expostos os sacrifícios, a dedicação e a abnegação de muitos que ajudaram a construir esta Casa de Jesus, que nestes 60 anos de vida vem oferecendo o “pão material” a alguns mais necessitados e o “pão espiritual” a todos que a ela recorrem, sempre amparados com o imenso carinho e a abnegação da Espiritualidade Superior, que sempre esteve à frente a nos orientar e a guiar cada passo.



A muitos daqueles que não foram citados, mas que se dedicaram à construção desta Casa, pedimos imensas desculpas e solicitamos a Jesus, o Senhor de Bençãos, que os abençoe, pois foi de seu trabalho e de sua dedicação que hoje desfrutamos dos benefícios desta maravilhosa doutrina.


João Carro é trabalhador do GFEEM e eterno devedor de Jesus.

GRUPO DA FRATERNIDADE ESPÍRITA EM TORNO DO MESTRE”

DOURADO-SP.



GFEEM - RUA TIRADENTES, Nº 129.
BAIRRO: CENTRO - DOURADO - SP.


PROGRAMAÇÃO EM CELEBRAÇÃO AOS 60 ANOS DO GFEEM.


FEIRA DO LIVRO ESPÍRITA
E PALESTRAS.








sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Panorama Histórico Econômico da cidade de Dourado SP

 

A seguir, organizei um panorama histórico-econômico de Dourado (SP) em ordem cronológica, com base tanto em fontes oficiais quanto no blog “Dourado Cidade Online”.


1. Formação e os primórdios (início do século XIX)
  • As origens de Dourado têm relação com a intensa migração de famílias de Minas Gerais, que deixaram o declínio da mineração em busca de terras férteis. Esse fluxo consolidou-se no interior paulista, especialmente na região de Araraquara e entorno, como Dourado.

  • A partir de meados do século XIX, começou o cultivo de café e o povoado foi se estruturando. Por volta de 1850, surgiram os primeiros registros oficiais de terras e a cafeicultura ganhou força.





2. Consolidação e prosperidade (final do século XIX – início do XX)
  • No final do século XIX, formou-se o povoado de São João Batista dos Dourados a partir de uma capela, em torno de 1880.

  • Dourado tornou-se distrito de paz em 1891 e logo depois, em 1897, foi elevado à categoria de município – com sua primeira Câmara instalada em 12 de outubro de 1897, e emancipado formalmente pela Lei nº 502, em 18 de maio de 1897.



3. Café e ferrovia: o motor do crescimento (décadas de 1900–1930)
  • A Companhia da Estrada de Ferro do Dourado foi instalada para escoar a produção cafeeira, conectando a região ao Porto de Santos. A ferrovia tornou-se peça-chave para o desenvolvimento local.

  • Essa infraestrutura sustentou a expansão econômica até meados dos anos 1930, quando Dourado chegou a contar com cerca de 13.965 habitantes.




4. Queda do café e diversificação agrícola (anos 1930–1970)
  • A crise da cafeicultura — sobretudo imposta pela quebra de preços — afetou Dramaticamente a economia local, que dependia fortemente dessa cultura (cerca de 60% da área cultivada).

  • Após esse período, a economia se reorientou para culturas como algodão, milho, laranja e, posteriormente, cana-de-açúcar.

  • A população acompanhou esse declínio: de cerca de 13.965 habitantes em 1920/30, passou para 7.616 em 1950 e recuou ainda mais, chegando a 5.634 em 1970.





5. Retomada lenta (a partir dos anos 1970)
  • Depois de atingir o mínimo demográfico, Dourado lentamente se recuperou — em 1991 tinha 7.743 habitantes; em 1996, 8.296; e em 2000, cerca de 8.606 habitantes.

  • A economia seguiu diversificada entre agricultura, pecuária, avicultura e comércio — sem retomar o auge cafeeiro, mas mantendo atividade rural relevante.







6. Economia atual: cana-de-açúcar, turismo rural e cafés artesanais
  • A economia local é hoje dominada pela monocultura da cana-de-açúcar, voltada à produção de álcool e derivados — superando outras culturas tradicionais. Paralelamente, o turismo rural cresce, com propriedades convertidas em eco-resorts, trilhas e um forte apelo à tradição interiorana e ao legado cultural da região.

  • Entre as fazendas que preservam e renovam a tradição cafeeira está a Fazenda Monte Alto, com o legítimo Café Helena, conduzido por Maria Helena Monteiro, que mantém toda a cadeia produtiva — do cultivo à torrefação — na própria fazenda. Uma iniciativa reconhecida pela qualidade e pela atuação empreendedora.





  • Outra propriedade rural de destaque é a Fazenda São Luís, que revigorou a cafeicultura local. Essa fazenda, originalmente parte da antiga Fazenda Botelho com mais de 200 anos — depois dividida em São Luís, São Carlos e São Delfino — retornou ao cultivo de café após anos de arrendamentos voltados à agroindústria.

    • Com a queda nos preços do café na década de 1970, a fazenda foi arrendada para culturas como algodão e aveia (anos 1970), depois para produção de cana junto à usina (1985).

    • Em 1998, o novo proprietário, Sr. José A. Nars, iniciou o retorno da cafeicultura com o plantio de 100 mil pés de café, repetindo esse investimento em 2001 e novamente em 2003.

    • A partir de 2008, com a industrialização da produção — incluindo irrigação avançada e torrefação própria — foram lançadas as marcas artesanais:

      • Aroma Dourado: linha de café expresso comercializada inicialmente em São Paulo, seguida por versão em pó;

      • Pepira Dourado: lançado em novembro de 2012, inspirado no Rio Jacaré Pepira que corta a região; começou com distribuição em Dourado e alcançou cerca de 500 supermercados em outras cidades.

    • O retorno à cafeicultura nessa propriedade representa uma junção de tradição centenária com tecnologia moderna (“Tradição e Tecnologia num só gole”), fortalecendo a identidade rural e a diversificação econômica de Dourado.




Cronologia resumida:
  1. Início séc. XIX – povoamento por migrantes mineiros, primeiro cultivo de café.

  2. Final séc. XIX (1897) – emancipação política como município.

  3. Início séc. XX – implantação da ferrovia e auge cafeeiro.

  4. 1930 – crise do café e diversificação agrícola (algodão, milho, pecuária).

  5. 1950–1970 – queda populacional e econômica.

  6. Anos 1970–2000 – gradual recuperação e diversificação do agronegócio.

  7. Anos 2000 em diante – fortalecimento da monocultura de cana-de-açúcar, surgimento do turismo rural/eco-resorts e revitalização da cafeicultura em propriedades como Monte Alto e Fazenda São Luís, com marcas como Café Helena, Café Pepira e Aroma Dourado.


Reflexão Final.

Dourado é mais que um ponto no mapa do interior paulista — é um retrato vivo de como tradição e adaptação caminham juntas. De um passado marcado pela força do café e do apito da ferrovia, passando por fases de diversificação agrícola e chegada da monocultura de cana-de-açúcar, até o ressurgimento de iniciativas como a produção de cafés especiais e o turismo rural, a cidade soube transformar desafios em novas possibilidades.

Como tantas pequenas cidades do interior de São Paulo, Dourado mantém o que muitas capitais perderam: o ritmo sereno, a proximidade entre as pessoas e o ambiente acolhedor. Ao mesmo tempo, oferece oportunidades de investimento em setores que valorizam a qualidade de vida — desde empreendimentos turísticos e agroindustriais até negócios voltados para produtos artesanais e sustentáveis.

No fim, visitar ou investir em Dourado é experimentar um equilíbrio raro: o progresso que não atropela a essência e a tranquilidade que não impede o crescimento. É descobrir que, assim como o aroma de um bom café "recém-passado", algumas riquezas só se revelam quando apreciadas com calma.





Fontes Pesquisadas.


Associação Brasileira de Agronegócio da Região de Ribeirão Preto.


Prefeitura Municipal de Dourado.


Câmara Municipal de Dourado


Wikipédia.


Blog Dourado.





quinta-feira, 10 de abril de 2025

A História da Juventude em Dourado nos anos 70, 80 e 90

 

Dourado, uma cidade charmosa no coração do Estado de São Paulo, nunca buscou ser um grande centro econômico; e talvez resida aí o seu encanto. Com raízes fincadas na simplicidade e na hospitalidade do interior, moldada por uma mistura rica de culturas, entre mineiros e imigrantes europeus, a cidade preserva até hoje o espírito acolhedor de um lar tranquilo.

Com pouco mais de nove mil habitantes atualmente, Dourado já abrigou quase o dobro disso entre mil e novecentos e mil novecentos e trinta, época de ouro impulsionada pela produção de café e pela Companhia Douradense de Estradas de Ferro. Os apitos da saudosa “Maria Fumaça” ainda ecoam na memória dos que viveram aqueles dias de efervescência e progresso.

Rotatória Trevo de Dourado.

Mas foi nas décadas de setenta, oitenta e noventa que a juventude douradense experimentou uma liberdade difícil de traduzir em palavras. Um tempo em que se vivia para fora de casa; de corpo e alma; num ritmo mais leve, mais humano. Uma juventude que encontrou saúde nos movimentos simples: no "footing" ao redor da Praça da Matriz de São João Batista, nas pedaladas despreocupadas, nas conversas sem pressa sob a sombra das árvores, nos encontros reais, feitos olho no olho.

O "footing", ritual encantador daqueles tempos, reunia os jovens ao redor da praça. Os rapazes caminhavam em sentido anti-horário, enquanto as moças circulavam no sentido oposto. Entre olhares tímidos e músicas que ecoavam dos alto-falantes próximos ao relógio da igreja, nascia o romance, a amizade, a vida social de uma geração que valorizava o contato humano.

Festa de São João Batista - Época Atual.

A Lanchonete Babalú era ponto certo, mesmo em dias da semana. Um lugar onde a tranquilidade reinava, e o respeito era regra não escrita entre os jovens. Havia companheirismo, havia cumplicidade.


Lanchonete Babalú - anos 70 em Dourado.


Dourado, mesmo pequena, transbordava opções de lazer. A discoteca do senhor Pedro Leite movimentava as noites da juventude na esquina das ruas Dr. Marques Ferreira e Tiradentes — hoje endereço do restaurante La Plaza.

Antiga Discoteca do Sr. Pedro Leite - Hoje Restaurante "La Plaza".

No lendário Dourado Clube, bandas e orquestras renomadas se apresentavam em noites memoráveis, carnavais lotados, blocos animados, matinês e fantasias caprichadas. Era o ponto de encontro de gerações e gerações.


Dourado Clube.


Antigos Carnavais no Dourado Clube.

Outros clubes também deixam suas marcas e lembranças: o saudoso Uaru Clube e o CIREC, espaços de encontro, cultura e diversão saudável.


Uaru Clube.


Uaru Clube.


CIREC.

 Já nos anos noventa, a discoteca da Latitude vinte e dois deu novo fôlego às noites douradenses. Também do senhor Pedro Leite, o espaço reunia jovens de toda a região, oferecendo música, alegria e a mesma essência respeitosa que sempre caracterizou os encontros da juventude local. Curiosamente, durante a Quaresma, a pista de dança era fechada; um exemplo do respeito entre fé e lazer que permeava a cidade.



Antiga Latitude 22 - Atualmente: "Wooden - Móveis Planejados".

As Festas de São João Batista sempre uniram a fé e a alegria popular. As procissões, missas e a Barraca da Festa integravam gerações num espírito comunitário vibrante. As imagens da festa de mil novecentos e noventa e um mostram bem: famílias inteiras reunidas, crianças, jovens e idosos celebrando juntos; era mais que uma festa, era um retrato da identidade douradense.

Vejam vídeo no YouTube.


 

Relembrar essa época não é desmerecer os tempos atuais, tampouco comparar gerações. É valorizar um capítulo da história em que a juventude floresceu com liberdade, saúde, respeito e sonhos.

A juventude, afinal, é mais que uma fase, é uma força que move, inspira e transforma. É a paleta de cores da vida, cheia de possibilidades. É o tempo de sonhar, de lutar pelos próprios caminhos e de se aventurar no desconhecido com coragem e sabedoria.

Que cada jovem saiba:
“Sem sonhos e lutas, nada posso conquistar. A vida é feita de sonhos. Nunca deixe de sonhar.”

E aos jovens de hoje, fica a lembrança, e o convite:
Que essa juventude de outrora inspire a de agora.
Que a liberdade se viva com consciência,
Que o respeito nunca saia de moda,
E que os sonhos…
Ah, os sonhos nunca deixem de existir.

Parabéns querida Dourado e douradenses, cento e vinte e oito anos em dezenove de maio de dois mil e vinte e cinco.