Imagine
você vivendo numa cidade do interior, nos
anos setenta,
com um pouco mais de oito
mil habitantes e saber
que a
sua cidade servirá
de produção para um filme. Enquanto isso,
um set de filmagem dava
vida
a uma fictícia cidade mexicana onde se desenrolaria a história.
Um galpão foi
construído para a produção do Filme. Um
set completo com fachadas de saloon,
cadeia, estábulo, banco, casa e armazéns. Para
a construção do set de filmagens, foram
mais
que doze
meses até as primeiras gravações.
Set de Filmagens.
Este
galpão pertencia as oficinas da antiga estação de ferro, a
Douradense.
Nessa
época a juventude douradense divertia-se como podia. Tomava sorvete
na sorveteria do Senhor Durvalino Pereira e do Cândido que ficava
bem ao lado do cinema: Cine São Paulo, propriedade do Senhor Orlando
Tavano.
A
repercussão chegou ao conhecimento dos admiradores dos filmes de
Faroeste. As
crianças, algumas faltavam às
aulas para espionar as filmagens e
gravações durante a semana.
O
Cinema Nacional, à época, era atraído a uma região onde cortavam
as Estradas de Ferro, entre elas a “Douradense”, e escoavam nosso
principal produto: o café produzido nas fazendas paulistas.
Locomotiva nº 1 - Praça dos Ferroviários em 2010.
Devido
as
paisagens exuberantes, cortada por rios, morros e encostas foram
alocados várias propriedades do
município de Dourado, um
cenário perfeito para os filmes de faroeste.
Pedra dos Agnelli.
Na
produção de Pedro
Canhoto,
de Raffaele Rossi, que é de 1973, usou alguns atores profissionais e
vários figurantes locais que
nos
trazem
depoimentos daquela época.
Cidadãos douradenses protagonizaram no Filme. (reconhecidos na foto: Zeca Vernáglia, Clóvis Marchi e Alberto Paloschi).
Além
de Dourado, várias
cidades do interior do estado de São Paulo serviram às produções
do mesmo gênero
de filme,
influenciados pelos Filmes Americanos de artistas como John Wayne,
Fred Mc Murray, Roy Rogers, Rochy Lane entre
outros.
Filme de Pedro Canhoto - Filmagem em Dourado - 1973.
Seguindo
essa linha de filmes, em Dourado, A VR Filmes, grupo de amigos com
Osvaldo Virgílio, o
Tijolinho e
João
Santiago protagonizaram vários
filmes,
entre
eles:
Alfandega em
1995, A
Expedição, em 1997. O Espírito da coisa, em 1998 e na Linha de
Tiro em 1999. Muitos desses filmes estão no YouTube.
Muitos
cidadãos e Empresas douradenses tiveram colaboração importante
para a produção desse filme de
Pedro Canhoto de Rafaelle Rossi:
Além
da
homenagem feita a
Prefeitura Municipal com o Senhor Prefeito Oswaldo Munhoz e
a Câmara Municipal com o Senhor Presidente Orlando Tavano e Izidoro
Munhoz citados no filme.
Umagradecimento
especial
aos Colaboradores:
José
Monteiro Novo e família;
Plínio
Kiehl;
Sebastião
Malheiro;
Pedro
Luiz Aguiar;
Cooperativa
dos Cafeicultores de Dourado;
Marcenaria
e Carpintaria Casadei;
Dr.
João Buzzá;
Pedro
Nelson Braga;
Irmãos
Pasquale;
Newton
Romano Costa (Drogacosta);
Alberto
Palosqui;
Arnaldo
Martins;
António
Colombo;
Antônio
Gonha.
Clóvis Marchi.
Sem
dúvida, o cinema, tem o poder de despertar emoções e refletir
sobre questões importantes porque é considerado uma arte
audiovisual que além de oferecer uma maneira de contar histórias e
explorar as
questões
humanas traz um impacto cultural que
pode influenciar a vida da sociedade e lembrar-nos de épocas que
marcaram muitas gerações.
Vejam
mais detalhes sobre os filmes de faroeste no Blog Dourado e nesse
canal no YouTube.
O
que poucos douradenses sabem que por volta dos anos 70 a cidade de
Dourado foi cenário de Filmes estilo “western”. Assim como
várias cidades do interior do estado de São Paulo
serviram às produções do mesmo gênero
influenciados pelos Filmes Americanos de artistas como John Wayne,
Fred Mc Murray, Roy Rogers, Rochy Lane e outros.
O
Cinema Nacional, à época, era atraído à
uma região onde cortavam as Estradas de Ferro, entre elas a
“Douradense”, e escoavam nosso principal produto: o café
produzido nas fazendas paulistas. Além de oferecer paisagens
exuberantes cortada por rios, morros e encostas que ligados ao clima
e matas tropicais constituíam um perfeito cenário para
os filmes de faroeste.
Em
Dourado, para a produção de Pedro
Canhoto, o
vingador erótico, de
Raffaele Rossi foi montado em um galpão um set completo com
fachadas de saloon,
cadeia, estábulo, banco, casa e armazéns, uma vez que a
ação do filme se passa numa fictícia cidade
mexicana. Rossi, italiano de Arsiero, chegou ao Brasil em 1954 e sua
ligação com o cinema começou em 63, com venda de
equipamentos; dedicou-se à fotografia, depois à edição
e produção. É tido como um dos grandes do gênero
pornochanchada.
Fez filmes em 1971 até 1981. Em Pedro
Canhoto, que é de
1973, usou alguns atores profissionais e vários figurantes
locais, entre os quais atores de teatro de São Carlos, como
Dirce Semensato, que fazia parte do elenco do grupo Porão
7.
Fotos de Cenas de "Pedro Canhoto" - Filme gravado em 1973 em Dourado.
Assim
nos conta em seu livro; “Cinema Marginal: O Faroeste Caipira”, de
Névio Dias e Getúlio Alho. Editora Instituto Cultural
de Artes Cênicas do Estado de São Paulo – ICACESP –
2011.
Névio
Dias nasceu em São Caetano do Sul, SP, 4 de dezembro de 1922.
Analista Acadêmico, funcionário aposentado USP/São
Carlos. Membro fundador da FETAC – Federação de
Teatro Amador do Centro, Estado de São Paulo.
Getúlio
Alho escreve ficção e teatro. É arquiteto, ator
e diretor de teatro. Tem contos publicados em vários
periódicos e antalogias, muitos dos quais premiados reunidos
no Livro Inverno Verde (Editora Valer, 2002).
O
livro “Cinema Marginal: O Faroeste Caipira” é um
importante documentário sobre os principais filmes do Cinema
Nacional gravados em São Carlos e região, no início
do século 20. Destacam-se nesta obra literária nomes de
artistas consagrados pela empresa cinematográfica, entre eles,
Ronald Golias e o histórico de filmes protagonizados.
Sinopses, fichas técnicas e fotos das cenas.
Video: You Tube.
O
ICACESP é uma entidade sem fins lucrativos e tem por
finalidade a promoção, pesquisa e estudos na área
cultural e promoções de ações culturais.
Atuação
do ICACESP.
Preocupados
com a situação de abandono em que se encontrava a
produção cultural do interior paulista, que atingia
diretamente as Artes Cênicas, o ICACESP elaborou em 1997 um
documento intitulado Carta
de Sorocaba apresentado à
Assembléia Legislativa através do então Deputado
Oswaldo Justo, obtendo amplo apoio parlamentar, sendo encaminhado ao
Governo do Estado. Dada sua repercussão, em 2000 foi elaborado
outro documento, intitulado Carta
de Guarujá, no qual
aquelas críticas foram mais contundentes. Este documento
mereceu do então Governador Mário Covas uma atenção
especial e algumas medidas foram adotadas para amenizar a omissão
do Estado perante o processo cultural do interior paulista. Desde
então o ICACESP se mantém atento à política
cultural, apoiando as federações de teatro amador e os
produtores culturais para que o Estado estimule os grupos através
de patrocínios, verbas, cursos, seminários, oficinas
culturais, publicação e distribuição de
textos teatrais e material técnico. É importante que o
Estado volte a patrocinar o Festival Estadual de Teatro Amador, a
exemplo do que se fazia nas décadas de 60 e 70 e, através
do Prêmio Governador do Estado, a distribuição de
bolsas de estudo para atores e técnicos que se destacarem.
ICACESP
– Instituto Cultural de Artes Cênicas do Estado de São
Paulo.
Sede:
Av. Henrique Gregori, 1324, 13575-000. São Carlos, SP.
Sinopses
de Filmes produzidos em Dourado - VR Filmes.
A
Expedição:
Um
dos filhos de um empresário com problemas de saúde,
contrata um grupo de amigos para buscar uma planta medicinal que pode
curar o pai, obrigando-os a uma perigosa aventura em meio à
floresta tropical.
Longa
metragem, sonoro, ficção.
Roteiro
baseado: “Pharoons, a um
passo do perigo” de João Santiago; VHS; cor 1997; Locação:
Dourado, SP; Apoio: Pedro Dias Aguiar, José Miguel Demeti
(Déo), Luciano Castelucci (Locadora Paradiso), Bijú
(Auto-posto Avenida) e Felício Grego;
Gênero:
Aventura;
Direção:
Oswaldo Virgilio (Tijolinho);
Câmera:
Roberto Virgilio e Tijolinho;
Trilha
sonora e Montagem:
Tijolinho;
Elenco:
Paulo Alcaide, Márcio Marigo, Tijolinho, Luana Ferreira,
Adriese Luceli Miguel, João Santiago, Antonio Carlos de
Almeida, Silvio Rossi, Roberto Virgilio, João Rossi e Os
Nativos.
Alfândega:
Um
rapaz, vendo malogrados seus esforços em obter uma profissão
honrada, vai para o exterior e, aliando-se a novos parceiros, rouba
uma fortuna em diamantes convertidos em dinheiro. Retorna à
terra natal esperando seguir uma vida de negócios e lucro,
porém os fatos atrapalham esses planos. Depois de muitos
percalços, consegue a tão sonhada estabilidade.
Longa
metragem, sonoro, ficção, VHS; cor; 1997;
Locação:
Dourado, SP;
Produtora:
VR Filmes – Voluntários
Reunidos;
Gênero:
Aventura;
Direção:
Oswaldo Virgilio (Tijolinho);
Câmera:
Roberto Virgilio;
Trilha
sonora e Montagem:
Tijolinho;
Elenco:
Sônia Pavês, Antonio Carlos Almeida (Jacó), José
Salvador da Silva, Adriese Luceli Miguel, José Luiz
Struzzioto, João Santiago.
O
Espírito da Coisa:
Professor
jovem lê no jornal notícia sobre a fuga de presos e um
anúncio que promete um milhão de dólares pela
captura dos marginais. Com esse objetivo, entra para uma suposta
máfia, mas acaba sendo morto pela verdadeira organização.
Longa
metragem, sonoro, ficção, VHS; cor; 1998;
Locação:
Dourado, SP;
Produtora:
VR Filmes – Voluntários Reunidos;
Gênero:
Comédia;
Direção:
Oswaldo Virgilio (Tijolinho);
Câmera:
Roberto Virgilio;
Trilha
sonora e Montagem: Tijolinho;
Elenco:
Tijolinho, Antonio Carlos
Almeida (Jacó), Juninho, Roberto, Nego (Anderson).
Participação
Especial: José
Castelucci.
Na
Linha de Tiro:
José
é um garimpeiro de poucos recursos e é perseguido por
um trio de malfeitores constituído por Gregory, um ex-juiz,
Paco, sujeito violento e implacável, e a jovem Gabi. O trio se
especializa em roubar e eliminar garimpeiros que conseguem alguma
coisa na lavra. Os assaltos continuam até que Gaetho, irmão
gêmeo de José, dando pela falta do irmão e em
companhia de Alemão, um negro forte e destemido, parte para o
revide. Na batalha Gregory é morto, Pablo e Alemão são
feridos; Gabi escapa. Gaetho é ferido e cai no rio e some,
ficando o mistério do seu fim.
Longa
metragem, sonoro, ficção, cor, VHS; 1999;
Locação:
Dourado, SP;
Produtora:
VR Filmes – Voluntários
Reunidos;
Apoio:
José Demeti (Déo), Fazenda Hotel Bela Vista (Pedro Dias
Aguiar), Locadora Paradiso, Luciano Catelucci, Auto Posto Avenida,
Bijú e Felício Grego;
Gênero:
Comédia;
Direção:
Oswaldo Virgilio
(Tijolinho);
Câmera:
Roberto Virgilio;
Trilha
sonora e Montagem: Tijolinho;
Elenco:
Paulo Alcaide, João Santiago, Tijolinho, Luana Ferreira,
Antonio Carlos Almeida, Sérgio Grego.
Desde
criança, Oswaldo Vergílio, mais conhecido como
Tijolinho, sonhava com o mundo do cinema. Trabalhar em montagens
cinematográficas, dirigir cenas e, até mesmo, atuar
sempre esteve entre as pretensões do menino que herdou do pai
a paixão por filmes.
Tijolinho
cresceu e, embora, com muitas limitações orçamentárias,
decidiu realizar seu sonho de criança montando uma pequena
produtora de filmes, a VR Filmes.
Em
1995, a produtora rodou o seu primeiro longa-metragem, “Alfândega”,
e depois vieram “Expedição” (1997), rodado na
Fazenda Bela Vista, com a participação de Paulo
Alcaide, João Santiago, Antonio Carlos de Almeida, Adriesse
Miguel, Luana Ferraz, Márcio Marigo e João Rossi,
“Espírito da Coisa” (1998), o qual teve como locação
vários pontos da cidade, e “Linha de Tiro” (1999).
“Com
todos esses filmes conseguimos perpetuar a história da nossa
querida cidade”, afirma Tijolinho.
Agora,
em 2007, com o advento de novas tecnologias, toda a produção
da VR foi “passada” para DVD o que enche de orgulho o produtor
que, grato, não esquece das pessoas que ajudaram na realização
deste sonho. “Não posso deixar de agradecer o apoio de José
Miguel Demetti (Déo), Pedro Dias Aguiar (Hotel Fazenda Bela
Vista), Luciano Castelucci (Locadora Paradiso), Bijú (Auto
Posto Avenida) e Felício Grego”, afirma Tijolinho.
Aos
interessados nos recentes lançamentos cinematográficos,
A VR Filmes (Voluntários Reunidos) produtora de cinema em VHS,
vem comunicar ao público, mais precisamente ao povo da região,
de que já se encontra na locadora um dos seus mais recentes
trabalhos, destacando o filme, A EXPEDIÇÃO, gravado nas
imediações do próprio município de
Dourado, contando especialmente com o apoio e colaboração
da Fazenda Hotel Bela Vista, do Sr. Pedro Dias Aguiar, expressando
também agradecimentos a José Miguel Demeti (Déo),
a Locadora Paradiso de Luciano Castelucci, e as autoridades oficiais
da cidade.
A
produtora adverte respeitosamente ao público de que não
é praxe produzir e exibir esse gênero de filmes; ao
passo que preferimos algo menos agressivo e que seja de certa forma
educativo às gerações vindouras, porém
ressalta que a diversificação de estórias,
ocorre em virtude de atender a todos de igual maneira sem contrariar
o prestígio do telespectador.
A
origem do filme provém de um roteiro escrito por João
Santiago, denominado; “Pharoons, a um passo do perigo”, cujo
título e decurso da estória se diferencia em detalhes,
do referido lançamento, A Expedição, mas o
resumo é o mesmo, contando sobre a vida de um certo
empresário, que passa por problemas de saúde; e um de
seus filhos contrata um grupo de pessoas para a perigosa e incessante
busca de uma planta medicinal em extinção existente
somente no meio de uma floresta tropical.
O
sistema de filmagem operado pelos câmeras Roberto Vergilio e
Tijolinho (Oswaldo Vergilio) tornou o verde daquele visual ecológico
ainda mais empolgante, uma vez que a elaboração de
montagem e trilha sonora esteve aos cuidados do persistente
“Tijolinho” que não mediu esforços para que o
trabalho, apesar da falta de recursos; fosse concluído. A
realização deste evento, contou com a participação
das seguintes pessoas:
Paulo
Alcaide – Márcio Marigo – Tijolinho – Luana Ferreira –
Adriese Luceli Miguel – João Santiago – Antonio Carlos de
Almeida – Silvio Rossi – Roberto Vergilio – João Rossi –
e os Nativos.
Publicação
do Ano de 1997 “Jornal: O Dourado”.
Oswaldo
Vergilio é um exemplo de douradense que não se
envergonha de suas raízes.
Trabalhou
doze anos frente ao Cine São Paulo como projetista do Sr.
Orlando Tavano, proprietário do cinema.
Fez,
por várias vezes, encenação de Corpus Christi,
em frente a Igreja Matriz de São João Batista e atuou
em peças de teatro nas Escolas Salles Júnior e Senador.
Em
1972 e 1973, no auge de músicas da MPB, Beatles, Bee Jees,
ABBA, The Feevers oferecia músicas pelo alto falante da Igreja
aos jovens que faziam o “footing” pela praça. Era o
costume daquela época.
Tijolinho
conta que o trabalho que realizou em seus filmes teve como objetivo o
registro de uma época onde nas cenas gravadas pode ser visto o
respeito a mata nativa que rodeiam as fazendas e suas sedes assim
como os bairros que cresciam em volta de Dourado mostrando a cidade
que temos agora.
Muito
mais que fama ou prestígio pelos filmes que compartilhou e
divulga sobre o cenário da cidade de Dourado pretende apenas
creditar seu trabalho o respeito à memória histórica
na formação da cidade de Dourado até os dias de
hoje.
Para
quem quiser entrar em contato com Tijolinho e saber mais sobre seus
filmes:
Celular:
(16) 8136-0097.
Fotos
de Cenas de Filmes gravadas de 1995 à 1999 pelos bairros de
Dourado e fazendas: