sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Num passado distante em Dourado.


Quando vejo a praticidade e comodidade que o mundo atual oferece me deparo que temos hoje o pão logo ali na padaria da esquina, frios e laticínios nos supermercados, as casas também com seus televisores, rádios e carros com os mais repletos acessórios para uma boa viagem à longa distância. Ao dormir aquele colchão macio e edredons para as noites de frio. Mas nos tempos dos nossos avós e bisavós não era bem assim. Numa pesquisa realizada por Kate Agnelli, neta de imigrantes, teremos a seguir uma descrição rica em detalhes, de como era a vida vivida no campo e o início dos nossos ancestrais que desbravaram terras antes nunca conhecidas pelos homens. Num trecho do texto ela mesma descreve: No princípio era a mata e as águas, tudo por conquistar, tudo áspero para peles delicadas de antigos comerciantes...” Através desta leitura nos deparamos como o tempo era precioso e valorizado nas rodas de conversas ao longo de noites enluaradas próximos da fogueira ao som de uma viola.


Os Carneiros e a Estrela. (Kate Agnelli)

A infância teve papel decisivo no meu modo de enxergar o mundo. Sempre solar. Sempre acreditando que há muito de positivo, mesmo nos períodos mais críticos. Basta saber olhar...
De qualquer maneira contar a história vivida dos outros não é fácil. Inevitavelmente será a minha pequenina visão da questão. Não sou sábia o suficiente para fazê-lo, porque para ser sábia é necessário ser justa. Ter uma visão imparcial, colocar todos na mesma medida... Nós seremos eternamente filtros da verdade, mesmo não querendo e estamos todos juntos no mesmo planetinha azul. Será necessário reunir todos os seres humanos de todas as épocas para se ter uma única verdade. Tarefa impossível. Algumas vezes a lente pela qual enxergamos os fatos, pode estar arranhada, ou sem o ângulo correto, ou mesmo com as cores distintas das reais... Mas talvez o mais importante não seja como se relata, mas que nunca se perca a história. Bem vamos começar com o que se sabe e até aonde se sabe...

Muito antes dos Agnelli chegarem ao Brasil, nesta região central do Estado de São Paulo, acontecia o reconhecimento da vila de Dourado como município no dia 19 de maio de 1897. Entre muitas contentas políticas entre os antigos habitantes do local, isto é, do Bebedouro, onde residiam as famílias pioneiras, vindas do sul de Minas Gerais. Lá estavam os Cardosos, os Lopes, os Buenos, os Ribeiros, os Souza, os Correias, os de Paula, os Carneiros, os Gonçalves, Pereiras, etc. Com seus muitos filhos, suas terras, seus parentes.
Os Pereiras há muito tempo, tinham vindo de Amsterdã na Holanda fugindo de uma Europa inquisidora, que aplicava a lei do Santo Ofício. Em concordância com a igreja católica, poder maior na época, matava-se e espoliava-se famílias inteiras somente por serem de origem judaica. O nome Pereira segundo estudo português feito, era "Abendana" "Aben"-i.e.,"Ibn" - Dana ( filho de Dana) . Nas armas dos Abendanas há uma águia sobre um globo, voltada em direção ao sol. No Brasão dos Pereiras conversos ao cristianismo, exímios soldados cavaleiros usados pelo rei de Portugal na guerra contra os mouros invasores da península Ibérica, há um par de asas douradas em cima da cruz florenciada de vermelho. O quinhentista João Rodrigues de Sá deixou duas quintilhas dedicadas aos Pereiras, que são as seguintes;

Joya de nosso tesoro
Que apareceo oo rey mouro
Per milagre na Pereyra
Da vytoria certo agouro

Em tytolo de valya
Florece oje este dia
Antre a montanha & o mar
Entre Cambra, Feyra & Ouar
terra de Santa Maria

Mas apesar da bravura quinhentista, os Pereiras precisaram deixar Portugal, pois sua origem era judaica, foram para Holanda e de lá para o Brasil. Inicialmente Recife, depois Minas Gerais. Mas o longo intolerante braço inquisidor também alcançou as terras mineiras. E aquela gente séria, de princípios rígidos, que se casavam somente entre parentes foi obrigada novamente a levantar vôo. E as asas douradas apontavam na direção dos sertões paulistas... Mas com toda certeza outras asas invisíveis acima do saber humano observavam a grande luta e a lenta comitiva de mulas, carros de boi, jacás, vacas, cavalos, homens mulheres e crianças, atravessando rios ainda sem pontes... Homens fortes, de pouco falar, olhos de falcão e um facão na mão... Um dos patriarcas da família o velho Francisco de olhos azuis profundos com seus filhos José Pedro, Joaquim e mais nove filhas, chegaram a região central do estado nos fins do século XVIII. Em Minas negociavam com pedras preciosas e tinham fazendas, criavam gado, plantavam.
As frentes de colonização avançavam para São Paulo, através principalmente dos tropeiros, primeiros conquistadores dos arredores de Brotas, região de muitas águas e vistas esplendorosas de um Brasil por crescer. Era a oportunidade de deixar as perseguições ideológicas. Mesmo porque não havia muita opção, ou enfrentavam a selva desconhecida ou a tortura já conhecida... Gente com asas não aceita gaiola, nem canga no pescoço... Compraram terras. Plantaram sementes para o futuro.

E fez-se a Boa Vista dos Pereiras...


No princípio era a mata e as águas, tudo por conquistar, tudo áspero para peles delicadas de antigos comerciantes de origem sefardita. Origem que a todo custo alguns ainda querem ocultar, porém o próprio nome Pereira anuncia a etnia. Foi justamente essa origem que lhes deu a persistência para sobreviverem a tantas idas e vindas, tantas voltas pelo mundo. Tinham a firmeza necessária, a fé inabalável para os dias mais difíceis. Durante uma das muitas travessias que fez através do rio Moji, o velho Francisco morreu afogado tentando salvar seus animais da correnteza furiosa, que ocorre todo verão. Esse traço de amor aos bichos passaria para seus descendentes. Após esse trágico acontecimento, um dos seus filhos Joaquim Pereira ficou num lugarejo que deu origem a cidade de Águas de São Pedro, ninguém nunca soube dos seus descendentes. Seu outro filho José Pedro Pereira nascido em 1830, continuou sua jornada seguindo a colonização. Desceu os rios além de Brotas. Levou suas nove irmãs para o Paraná, que ainda era um prolongamento de São Paulo. Eram elas; Ana Rosa, Mariinha, Angélica, Ignez, Íria, Vitória, Rita, Escolástica e Virgínia. Depois de ficar meses por lá e casando as irmãs, fazendo assentamentos, retornou à sede da Boa Vista no município de Brotas. Nunca tiveram notícias delas. A descida pelos rios foi muito mais fácil do que as novidades subirem as correntezas. Só mesmo a piracema...
Quantos parentes não teremos nós no Paraná?

Fico imaginando que fim levaram todas aquelas tias antepassadas. Diziam os antigos que eram louras e bonitas. Como deve ter sido difícil viver no meio da selva, cheia de pernilongos, febre amarela, calor insuportável, geadas, comer pinhão para não morrer de fome no inverno. Fugir de cobras. Mas o pior, escondendo para sempre suas origens familiares. Era como levar uma pedrada na cabeça, ficar sem memória. A pancada da inquisição tinha sido muito forte. Era preciso nascer de novo... A vida sempre foi feita de separações, por mais que se tente juntar... Parece que a estabilidade enfraquece e quanto mais se mexe na vida, mais se anda, mais sabedoria se adquire. E assim gerações percorrem o planeta para decifrá-lo e decifrarem-se...
Sempre houve esse movimento, que empurra as pessoas de um lado para outro. Por pura sobrevivência pensamos nós... Ao olhar mais atento tudo é necessário, caso contrário o ser humano nunca saberia de suas potencialidades e suas mazelas. As ondas humanas vão e vem, às vezes mansas, outras bravias e tal qual a água do mar. É salgada também. Vez ou outra encontramos alguém que nos parece conhecido há séculos, talvez seja isso mesmo! Reencontramos uns nos outros velhos genes espalhados pelo mundo afora. Não há coincidências. Há muita sabedoria em nós que não é aflorada, que passa desapercebida e às vezes se manifesta intuitivamente.
E assim José Pedro Pereira passou sua vida plantando para o futuro. Dizem as más línguas que ele era tão persistente quando queria alguma coisa, que fizeram um refrão "Zé Pedro Pereira, varejeira". E na fazenda Boa Vista foram nascendo os filhos e filhas, todos paulistas "do coração do estado de São Paulo" como diziam. As benfeitorias foram-se se somando, através do trabalho duro, feito para homens e mulheres curtidos na lida de noite a noite, das madrugadas frias até a escuridão chegar. Sem feriados. Era o monjolo, o pilão, o serrote, o gado, as galinhas, os carneiros, as vacas, o leite, o queijo, os doces, o milho, o fubá e as broinhas. Dieta saudável e forte...
Nessa época foi se formando o Bebedouro, juntando as famílias todas, casando-se entre seus membros e somando aos seus sobrenomes "dos Santos", sugerido é claro, pela igreja como sinal de unificação do vilarejo na fé Católica. Mas "ficar com o pé em duas canoas nunca deu certo"...
O Bebedouro pertenceu primeiramente a Rio Claro, depois passou para Brotas. Possuía uma escola, uma farmácia, igreja, ruas, casas. Sem destino certo pelas leis dos homens, o local acabou tendo muitas bênçãos divinas e gente hospitaleira sem igual nas redondezas. Mesas fartas, amizades sinceras, canto dolorido do carro de bois. Churrascos de carneiro, mantas de lã fiadas no tear manual, tingidas com as cores doadas pelas plantas, pelegos e baixeiros. Habilidosas bordadeiras, mulheres fortes de pouco falar e muito fazer. Excelentes domadoras de cavalos... Muitas tias e tios, primos e primas. Longas noites de inverno, histórias contadas ao pé do fogão de lenha. Canto do Urutau. Encantamento das noites de luar, sons de viola tocada nas varandas cobertas por um céu avermelhado ao anoitecer. Redes que embalavam sonhos infantis. Cachoeiras prateadas, altas palmeiras que faziam o vento assobiar, macauvas, coquinhos e tenros palmitos, gabiroba, fruta-do-conde. Angicos, Pau-ferro, Unhas-de-vaca, Sete-capotes, Ipês, Jatobás, Pau-marfim, cipó Imbira, etc. Macacos espertos, gansos sinaleiros, garnisés implicantes, galinhas d'angola sempre fraquinhas...Bandos de maritacas fofoqueiras, garças pacíficas, pinhés caçadores, bem-te-vis. Veados campeiros, lobos guará, jacarés sonolentos... Som monótono da roda d'água e do monjolo fazendo alimento para homens e animais. Café torrado, melado e bijú. Coalhadas purificadoras. Grandes tachos de cobre areados com areia branquinha do ribeirão. Gamelas cheias de soro de leite. Queijos. Moinhos, ribeirões e lambaris, pedras redondas repletas de quartzo plenos da magia dos reflexos coloridos da luz . Chás caseiros, sabedoria na utilização dos remédios da natureza. Histórias de sacis levados, de assobio fininho, trançadores noturnos de crina de cavalo, da "bola de fogo das dez da noite", que aparece e desaparece atrás do morro. Trovinhas ensinadas para as crianças como "caixinha de bom parecer, não há carpinteiro que saiba fazer"" ou "ele mora dentro dela e nunca sai da janela". A magia de um céu encantadoramente azul e impassível... Geadas e caraguatás, símbolo perfeito para o Bebedouro, planta espinhosa, com uma linda flor que atrai insetos e beija-flores, uma bromélia, uma das mantenedoras do meio ambiente das matas nativas... Das folhas espinhentas do caraguatás os Índios tiravam uma fibra que teciam o "Ñanduti", redes e rendas. Por lá ainda existem também vestígios de picadas feitas pelos soldados brasileiros na longa caminhada para lutar na triste guerra do Paraguay... Local de maravilhas e de lutas pela afirmação como município. Batalha perdida para Dourado que tinha apoio político da igreja. E o São João Batista, padroeiro escolhido que havia sido comprado por Jacinto Heliodoro dos Santos na cidade de Rio Claro para a capela do Bebedouro, foi roubado por João José Gregório e levado para a igreja em cima da serra, que se chamava São João Batista dos Dourados, devido à pesca do peixe dourado, abundante no rio Jacaré-pepira.
Naquela época as imagens de santos vinham na sua maioria da Itália. O trabalho que Jacinto Heliodoro teve para buscá-la em Rio Claro foi uma empreitada para a época. Não havia estradas, só picadas no meio da mata. O lento carro de bois, levou oito dias para chegar ao seu destino. As mulas carregadas de bruacas, os cavalos com os piquás cheios de rapadura e fubá. Tiveram que levar, água em purungas, pois não existia muito vasilhame. Junto foi a sua pequena filha Maria Jacinta de apenas oito anos para ajudar a puxar a comitiva. Aprendia-se a sobreviver muito cedo.
Tudo é para o bem diz a lenda judaica, não há mal absoluto em nada, em ninguém. Mas o sofrimento turva a visão das pessoas, a dor ou embrutece ou eleva, dependendo da natureza íntima de cada um. Dourado foi proclamado município no dia 19 de maio de 1897, pela lei numero 502, desligando-se de Brotas e juntando-se a Ribeirão Bonito, ficando dependente judicialmente dessa cidade. Arrebanhou terras de um lado, mas perdeu de outro, ficando na canga de Ribeirão Bonito até hoje...
Houve um padre chamado Guedes que muito amigo do pessoal do Bebedouro que não agüentou ver a injustiça com os pioneiros. Dizem que deixou Dourado a pé indo na direção do Bebedouro, mas ao passar o último riacho da cidade, tirou as sandálias dizendo, que daquele lugar não levaria nem o pó nos pés. Ao fazer isso amaldiçoou a cidade por cem anos, que durante esse tempo nunca haveria progresso... Parece que a praga pegou, dizem os supersticiosos. A eterna briga pela posse da terra, como diria Quincas Borba de Machado de Assis "ao vencedor as batatas..."


Ninguém imagina que o nosso maior inimigo é o tempo. Esse sim nos espreita tal qual um tigre em cada esquina da vida pronto para dar o bote... Somos hóspedes desnecessários no planeta e por tão pouco tempo, que não dá para compreender tanta necessidade de posse, Não possuímos nada, nem a nós mesmos. Sequer pagamos condomínio para D'us.
Mas enfim parece que realmente as separações são necessárias e Dourado separou-se de Brotas, como um divórcio mal resolvido. A Boa Vista dos Pereiras ficou no município de Brotas. Os filhos de José Pedro Pereira foram; José (Juca), Luiz, Firmino, Carmelina, João, Avelina e Batista . José também conhecido como Juca, casado com Valentina, rumou para Andradina junto com os amigos Moura Andrade, pois eram todos da mesma origem, como uma grande família. Teve oito filhos, Sebastião, Maria, Jacinto, José Pedro ( Pedrinho), Antonio, Ananaias, Augusto e Orazil. Luiz foi para Iacanga onde criou raízes deixando numerosa descendência, casou duas vezes. Do primeiro casamento com Maria Venância teve Otávio, Osvaldo, Oscarlina, Orlando, Olavo, Maria (Tota) e Zulmira, Do segundo casamento com Anna vieram Odila, Onofre, Odil, Olga e Ofélia seguindo eles com terras e gado. Carmelina casou-se com Francisco José de São Carlos e teve os filhos ; Aurora, Maria Joaquina (Joaquininha), Arminda, Laura que se casou com um dentista e foi embora para o Rio de Janeiro. Marica, Francisca ( Chiquinha) casada com Monteiro, onde possuía a chamada "Chácara Monteiro", que se tornou bairro da cidade. Avelina teve seis filhos; Avelino, Fernando, Aquiles, Antonio, Eduardo e Marcílio. Batista casou com Antonio Mendes teve uma única filha, Maria São João casada com Domingos Carneiro de Campos, deixou muitos descendentes no Vale do Paraiba, Campinas e Leme. João de olhos azuis como os do avô teve dez filhos; José, Leontina, Batistina, Erostina, Alcides, João, Durvalino, Quíria, Venâncio e Lidinha, a maioria acabou ficando em Dourado também com numerosa descendência.
Finalmente Firmino, foi o único que ficou na fazenda Boa Vista, local de belezas eternas, muitas nascentes de águas claras, um verdadeiro oásis. O céu habitava na terra verde repleta de rebanhos de carneiros brancos, como nuvens doadas pelo Senhor...Para ele era sua terra prometida.
Quando o Bebedouro separou-se de Brotas, a pequena escola que havia lá foi retirada. Levaram até os tijolos e as telhas. E Firmino que era casado com uma prima Anna , tinha já filhos, todos necessitando de aprender. Ele não desanimou mandou o carro de bois com empregados cortar aroeiras na mata, serrou todas em tábuas na sua própria serraria, ergueu uma escola, cobriu com telhas da sua olaria e fez todas as carteiras e bancos. Chamou um professor de São Paulo para inaugurar a escola, era Osvaldo Aranha. E fez-se a escola da Boa Vista dos Pereiras. Certa vez perguntaram porque na sua fazenda não havia capela, na sua sabedoria milenar Sefardita, Firmino respondeu que a casa de D' us era o mundo.
Uma imensa figueira com seus galhos esparramados, plantada ao lado da porteia da entrada da fazenda, dava sombra e as boas vindas aos visitantes...
Estabeleceu-se um período de paz. Firmino e Anna tiveram os filhos José, Maria, Santo, Serafina, Luísa, Firmino Filho, Isaura, Osório, Mário, Luiz e Ana (Nica). E a história não pára como gostaríamos de pensar, tudo continua quer se goste ou desgoste. Os filhos de Firmino aprenderam muito na pequena escola de aroeira. Lá aprenderam também os filhos de imigrantes de várias etnias.
Havia uma família muito amiga dos Pereiras que de vez em quando vinha fazer uma visita, contar "uns causos" na varanda, tocar uma viola caipira. Era a família Moura Andrade, que tinha um filho já grandinho. Firmino perguntou se o menino já sabia ler. O pai sem graça disse que não, pois não tinha como o pequeno vir para a escola, porque os animais estavam todos na lida. Firmino generoso como sempre, disse "o caso já está resolvido, de amanhã em diante ele começa a vir para a escola" mandou que buscassem uma mula muito boa e deu de presente para que o garoto estudasse.
Esse menino tornou-se um homem de muitas cavalgadas, fazia comitivas de bois para o estado de Mato Grosso, acabou fundando a cidade de Andradina, dizem que era "o rei do gado", muito cantado em modas de viola...
O filho mais velho de Firmino chamava-se José, de mansos olhos azuis, casado com Eliza de Moura, tiveram uma única filha, mas criaram orfãos. Maria ficou solteira, vivia para ajudar os irmãos e sobrinhos , um verdadeiro carvalho pronto para doar sua sombra. Santo era o intelectual da família, lia muito, fazia a contabilidade da fazenda. Também ficou solteiro. Vivia implicando com as pessoas que queriam introduzir imagens de santos na casa, dizia que eram "adoradores do bezerro de ouro" e até ficava malcriado. Morreu entre seus amados livros. Foi ele que me contou a história da diáspora do povo judeu, quando eu tinha apenas cinco anos. Nunca pude esquecer... Serafina casou-se com um primo Heliodoro, filho daquele que comprou o santo da discórdia do Bebedouro. Teve cinco filhos; Áurea, Pedro, Francisco, Maria e Jacinto. E juntaram as terras. Firmino (filho) casou-se como de costume com uma prima também chamada Nica, tiveram dois filhos: Silvia e Flávio, juntaram heranças. Luisa para não fugir à regra casou com o primo Geraldo, teve cinco filhos, duas filhas morreram jovens, restando João, Creuza, Geraldo, também juntaram mais terras. Luiz casou-se com Linda, não tiveram filhos. Exímio carpinteiro, conhecedor profundo das escrituras, a bondade personificada, sua viúva o pranteia até hoje, fala com ele como se estivesse realmente ainda neste mundo. Mario casou-se com Nair Rodrigues tiveram cinco filhos, Mauro, Mauri, Marcos, Márcio e Magali. Isaura casou-se com Violindo Agnelli, este é um capítulo à parte. Anna ( Nica) casou-se com Edner Alves (Inca), filho de meeiros da fazenda e neto do homem que roubou o santo impedindo o Bebedouro de tornar-se independente. A família foi contra seu casamento. Tiveram três filhos; Rosana, Antonio Roberto e Andrea. Sua vida foi muito, mas muito difícil, mas manteve total integridade de coração. Tornou-se espírita. Foi desprezada por muitos da família. Aqueles que quando tinham atribulações, corriam às escondidas a sua casa para pedir ajuda, mas que todo Domingo iam bater ponto na missa...
Muita gente ainda acredita que os outros ou D'us podem mudar suas vidas, quando na verdade, eles é que precisam mudar interiormente, para que tudo mude a sua volta. Osório casou-se também fora da família com uma filha de Italianos. Este é outro capítulo.



Isaura Pereira Agnelli, era casada com Violindo Agnelli irmão de Antonio Agnelli.





Esta é uma foto histórica dos anos 20. É escola da Boa Vista dos Pereiras fundada por meu avô paterno Fermino Pereira ( eu não o conheci ). A escola feita em tábuas deve existir até hoje (Bairro do Bebedouro). O Professor contratado por meu avô era Oswaldo Leite Aranha. Nesta escola também estudaram os Agnelli, assim como muitos imigrantes de várias etnias.






Escola de Tábuas, construída nos anos 20 (Bebedouro - Dourado).






Fazenda Boa Vista dos Pereiras (Bebedouro).







Vejam também neste Blog:


Os Carneiros e a Estrela.

Cap. II.

Cap. III.