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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

CD - Companhia Douradense das Estradas de Ferro



Nesta publicação estaremos divulgando fotos que relembram a formação e a extinção da Companhia Douradense das Estradas de Ferro. Graças a colaboração de nosso cidadão, o Senhor Hamilton Felix Vannucci, que está contribuindo para preservar a memória histórica do nosso município.

 
Logotipo da Cia Douradense:

 
CD – Locomotiva Douradense.


 

Administração e locomotiva para passageiros:

 
Esta foto encontra-se na Estação da Rodoviária de Dourado:
Locomotiva Nº 1.
 

Placa da 1ª Locomotiva de Dourado:

 
Estação na Vila Santa Clara em Dourado:
 
Vila Santa Clara (antes e depois da reforma).
 

Alguns acidentes que marcaram nossa ferrovia:

 
Descarrilamento em 1949:



Ponte:



Ponte Reformada:


 
Procissão realizada em 1936 próxima a ferrovia:


 

Exemplo de carros transporte de chefes.
 

Carros transporte de bagagens.
 
Transporte de dormentes e lenha para a fornalha da Locomotiva (produzidos nas oficinas da estação douradense):
 
Modelo de carro para inspeção das linhas:
Carro 1:

Carro 2:

 
Carros transporte de Gado.
Fonte de Pesquisa, dados, informações, fotos e documentos no site http://br.geocities.com/cefdourado/ , colaborador: Alberto Henrique Del Bianco (Curador do Museu virtual da Cia. Douradense).


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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cia Estrada de Ferro do Dourado - "Douradense"

Uma Passagem no Tempo - A História da Douradense. (por Flávio Darini)


Foto aérea no site http://br.geocities.com/cefdourado/ , colaborador: Alberto Henrique Del Bianco (Curador do Museu virtual da Cia. Douradense).




Este ano a Douradense completaria 108 anos se o governador Laudo Natel, em 1966, não tivesse assinado uma lei tirando-a do mapa do Estado de São Paulo. Preocupada com a preservação da memória, a Prefeitura de Dourado transportou para um galpão na cidade a locomotiva número um, que estava na fazenda Angélica, onde eram mantidas as ferragens da máquina para evitar a ação do tempo. Com essa iniciativa, organizou-se a preservação da memória de uma estrada de ferro que foi a vida de Dourado.

O Começo
O desenvolvimento da malha ferroviária do Estado de São Paulo é obra do empenho dos seus próprios habitantes, que viam em seus trilhos a oportunidade do progresso. A pequena ferrovia, que recebeu o nome Estrada de Ferro do Dourado do Vale, em função do principal rio do seu trajeto, nasceu da expansão das lavouras de café e outras culturas que estavam distantes dos trilhos da Cia Paulista de Estradas de Ferro. A Douradense, como ficou conhecida, iniciou o projeto de construção em Agosto de 1899. Em outubro de 1900 foram abertos os primeiros dez quilômetros até Ferraz Salles, partindo de Ribeirão Bonito onde, na época, era a estação final da Cia Paulista. Por mais de seis décadas a Douradense impulsionou a vida da cidade, tornando-se o centro de tudo o que acontecia, contribuindo para a expansão das fazendas e dando vazão às mais diversas culturas.

O Fim
Puxada pela locomotiva preta, com a borda da chaminé em dourado, em uma noite de julho de 1966, a última composição partiu com o maquinista, o foguista, o guarda-trem e alguns passageiros em sua viagem de volta. Nesta noite, o chefe da estação José Antonio Oliveira César, conhecido como "seo" Ripa, hoje com 92 anos, estava lá, sonhando com uma possível volta da Douradense. Entre crianças que viviam brincando no pátio da estação, e casais apaixonados com os olhos em lágrimas, a locomotiva soava o seu apito de adeus. Após a saída, exatamente a última, "seo" Ripa trancou a porta do escritório e afastou-se de cabeça baixa em direção à sua casa.




Celso Poli, chefe de seção, companheiro de "seo" Ripa, hoje com 73 anos, recordou o dia mais triste na história da Douradense. O caso, marcado na lembrança de toda a cidade por longos anos, aconteceu em uma época de muita chuva na região. O córrego que cruza o município de Boa Esperança do Sul transbordou e a locomotiva tombou em meio as águas, matando o maquinista. O acidente aconteceu e logo após, na tentavia de desobstruir o trecho, a locomotiva de socorro chegou e um funcionário com um varão na mão, puxando as ferragens, não observou os cabos de energia que existiam para a iluminação, acabou levando uma descarga elétrica e também morreu eletrocutado.
"Eu era muito jovem na época e este fato incomum, pois os acidentes ferroviários eram raros, deixou a cidade chocada" - disse. Em acidentes com duas mortes e o ecoar do apito da última viagem foram os fatos mais tristes da época da Douradense.
"Agora, com a recuperação da primeira locomotiva, quem sabe a população possa se interessar pela história da Douradense, e saber da importância que teve para o desenvolvimento de toda a região. A Douradense nunca devia ter morrido", finaliza Celso.






Publicação da Revista Crônica (2007) 1º Aniversário, Edição nº 05, ano 02.



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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Maria Fumaça

Porta com o Mundo.

De acordo com José Baptista, 73 anos, trinta dos quais trabalhando como funcionário da Companhia Paulista S/A, onde ingressou em 1949, justamente o ano em que esta encampou a Douradense, na estação de Bocaina trabalhavam oito funcionários, sendo dois chefes, um conferente, três portadores e dois auxiliares. Outras pessoas da cidade estavam empregadas na ferrovia, principalmente nos serviços de manutenção dos trilhos.

Baptista trabalhou na estação de Bocaina durante dois períodos, entre 1953 a 1955, para onde veio transferido na função de auxiliar-responsável pela bilheteria e despachos de bagagem - da estação da Companhia Paulista em Marília, e entre 1963 a 1966, quando voltou efetivado na função de chefe. Antes da sua primeira passagem por Bocaina, já havia trabalhado como telegrafista na estação de Santa Rita do Passa Quatro.

Entre suas muitas memórias do período em que trabalhou está a de um incidente ocorrido com uma locomotiva de carga, no momento em que esta manobrava próximo à plataforma e um dos vagões acabou se soltando da composição, indo parar a cerca de 1,5 quilômetros do local. "Foi muita sorte (o vagão) não acabar pegando nenhuma pessoa sobre os trilhos", comenta.

Sobre a movimentação na estação nas tardes de domingo, ele recorda: "Você quase nem conseguia andar na plataforma. Era muita gente que queria ver a chegada e a partida do trem. E também porque todas as novidades chegavam pela ferrovia.

Os jornais diários, as mercadorias adquiridas pelas casas de comércio que funcionavam na cidade e os filmes que seriam exibidos no Cine Jequitibá".

Se hoje algumas pessoas chegam a ficar impacientes quando não encontram na mesa do café o seu jornal diário, que chega à cidade nas primeiras horas da manhã através dos ônibus, imagine o que era se inteirar das notícias do dia anterior apenas próximo do horário do jantar.

Apesar de sua lentidão se comparada aos meios de transporte hoje existentes, a Maria Fumaça heroicamente seu papel no fomento das atividades comerciais e industriais da cidades por elas servidas. Sobretudo as fazendas de café, responsáveis pela principal fonte de riqueza dos municípios do interior até boa parte do século passado, deveram muito de sua pujança às facilidades oferecidas pela ferrovia para o escoamento de sua produção.

Baptista afirma que, se fosse hoje, as pessoas nem sentiriam a desativação da ferrovia. Mas em 1966, quando de fato ela ocorreu, o sentimento reinante entre os bocainenses foi como se a cidade tivesse vendo ser fechada a sua porta com o mundo exterior: "Na época, além do principal meio de transporte, Bocaina perdeu também seu ponto de encontro nos finais de semana".

Quando soube da notícia de que a estação de Bocaina estava para ser desativada, depois de ser incluída numa série de ramais considerados deficitários pela Companhia Paulista, Baptista foi até o presidente da Câmara Municipal da época, numa tentativa de encontrar apoio para a permanência da ferrovia na cidade. O esforço foi em vão. No dia 15 de setembro de 1966 a estação recebia a sua última locomotiva. Nesse mesmo dia, Bocaina sofreu ainda uma outra perda. O Banco Paulista S/A, que tinha sua agência no prédio onde hoje está localizada a prefeitura, encerrava definitivamente as suas atividades na cidade. Os bocainenses, por sua vez, encerravam uma convivência de pouco mais de meio século com a Maria Fumaça, cujas lembranças vão continuar ressoando na memória das pessoas que a conheceram como o apito estridente que ela soltava na estação a cada chegada e partida.

Locomotiva Nº1 tem projeto para voltar a rodar, em Dourado

A locomotiva esta de volta para a cidade de Dourado. Ela se encontra protegida do sol e da chuva no antigo Matadouro Municipal, onde irá receber todas as condições para que seja restaurada.