quarta-feira, 23 de julho de 2008

Cia Estrada de Ferro do Dourado - "Douradense"

Uma Passagem no Tempo - A História da Douradense. (por Flávio Darini)


Foto aérea no site http://br.geocities.com/cefdourado/ , colaborador: Alberto Henrique Del Bianco (Curador do Museu virtual da Cia. Douradense).




Este ano a Douradense completaria 108 anos se o governador Laudo Natel, em 1966, não tivesse assinado uma lei tirando-a do mapa do Estado de São Paulo. Preocupada com a preservação da memória, a Prefeitura de Dourado transportou para um galpão na cidade a locomotiva número um, que estava na fazenda Angélica, onde eram mantidas as ferragens da máquina para evitar a ação do tempo. Com essa iniciativa, organizou-se a preservação da memória de uma estrada de ferro que foi a vida de Dourado.

O Começo
O desenvolvimento da malha ferroviária do Estado de São Paulo é obra do empenho dos seus próprios habitantes, que viam em seus trilhos a oportunidade do progresso. A pequena ferrovia, que recebeu o nome Estrada de Ferro do Dourado do Vale, em função do principal rio do seu trajeto, nasceu da expansão das lavouras de café e outras culturas que estavam distantes dos trilhos da Cia Paulista de Estradas de Ferro. A Douradense, como ficou conhecida, iniciou o projeto de construção em Agosto de 1899. Em outubro de 1900 foram abertos os primeiros dez quilômetros até Ferraz Salles, partindo de Ribeirão Bonito onde, na época, era a estação final da Cia Paulista. Por mais de seis décadas a Douradense impulsionou a vida da cidade, tornando-se o centro de tudo o que acontecia, contribuindo para a expansão das fazendas e dando vazão às mais diversas culturas.

O Fim
Puxada pela locomotiva preta, com a borda da chaminé em dourado, em uma noite de julho de 1966, a última composição partiu com o maquinista, o foguista, o guarda-trem e alguns passageiros em sua viagem de volta. Nesta noite, o chefe da estação José Antonio Oliveira César, conhecido como "seo" Ripa, hoje com 92 anos, estava lá, sonhando com uma possível volta da Douradense. Entre crianças que viviam brincando no pátio da estação, e casais apaixonados com os olhos em lágrimas, a locomotiva soava o seu apito de adeus. Após a saída, exatamente a última, "seo" Ripa trancou a porta do escritório e afastou-se de cabeça baixa em direção à sua casa.




Celso Poli, chefe de seção, companheiro de "seo" Ripa, hoje com 73 anos, recordou o dia mais triste na história da Douradense. O caso, marcado na lembrança de toda a cidade por longos anos, aconteceu em uma época de muita chuva na região. O córrego que cruza o município de Boa Esperança do Sul transbordou e a locomotiva tombou em meio as águas, matando o maquinista. O acidente aconteceu e logo após, na tentavia de desobstruir o trecho, a locomotiva de socorro chegou e um funcionário com um varão na mão, puxando as ferragens, não observou os cabos de energia que existiam para a iluminação, acabou levando uma descarga elétrica e também morreu eletrocutado.
"Eu era muito jovem na época e este fato incomum, pois os acidentes ferroviários eram raros, deixou a cidade chocada" - disse. Em acidentes com duas mortes e o ecoar do apito da última viagem foram os fatos mais tristes da época da Douradense.
"Agora, com a recuperação da primeira locomotiva, quem sabe a população possa se interessar pela história da Douradense, e saber da importância que teve para o desenvolvimento de toda a região. A Douradense nunca devia ter morrido", finaliza Celso.






Publicação da Revista Crônica (2007) 1º Aniversário, Edição nº 05, ano 02.



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